Blog do Dr. Alexandre Faisal

22/07/2011

Apoio na hora do parto ajuda a gestante

     Suporte durante o trabalho de parto é quase uma exceção em muitas maternidades. Uma revisão de estudos avalia os benefícios para a gestante e para o bebê desta prática

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      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

     

    

          Historicamente, as mulheres receberam atendimento e apoio de outras mulheres durante o parto. No entanto, na grande maioria dos hospitais em diversas partes do mundo, o apoio contínuo durante o trabalho tornou-se a exceção e não a regra. Mas será que o suporte para a parturiente durante esta importante etapa da gestação tem, de fato, algum benefício?. Ou será que os resultados obstétricos são os mesmos na comparação entre quem recebe apoio emocional ou não?.

          Pesquisadores da fundação Cochrane avaliaram esta questão por meio da análise conjunta de pesquisas afins. Vinte e um ensaios clínicos randomizados envolvendo mais de 15.000 mulheres foram agrupados e avaliados. Comecemos então pelas boas notícias. Parturientes sorteadas para receber apoio contínuo apresentaram maior probabilidade de ter um parto vaginal espontâneo e menor probabilidade de ter analgesia durante o parto. Elas também tinham menor chance de viram a dizer que estavam insatisfeitas. Mais boas notícias: seus trabalhos de parto foram mais curtos e elas foram menos propensas a parir por meio de cesariana ou por parto fórceps. Gostou?. Pois calma que tem mais: receber suporte no parto se associou  com menor risco do bebê ter baixo índice de Apgar de 5 minutos. O índice de Apgar é uma nota que os pediatras dão para o bebê assim que ele nasce e que tem valor prognóstico. Ou seja, quanto maior o Apgar, melhor a vitalidade do bebê e menores os riscos de complicações.Também observou-se que o suporte contínuo não teve impacto aparente sobre as outras intervenções intraparto, nem em complicações maternas ou neonatais, ou na amamentação. Mas um dado muito curioso foi a constatação de que o apoio durante o trabalho de parto foi mais eficaz quando dado por uma mulher que não fazia parte da equipe hospitalar, nem da rede social da mulher. E nas situações em que a analgesia peridural não era rotineiramente oferecida.

          A única dúvida dos autores é sobre o momento mais adequado para se oferecer o início desta prática. Isso eles não souberam responder. Quanto ao resto, a conclusão é clara: o apoio contínuo durante o trabalho tem clinicamente benefícios significativos para as mulheres e crianças e nenhum mal conhecido. Logo, todas as mulheres devem ter o apoio durante todo o parto e nascimento. Embora estas afirmações tenham agora um caráter científico, muitas mulheres podem estar dizendo: "demorou né?". (Hodnett ED, Gates S, Hofmeyr GJ, et al. Continuous support for women during childbirth. Cochrane Database Syst Rev. 2011)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h12

19/07/2011

Embolização de miomas: esperança para muitas mulheres

       

       A embolização do mioma uterina é uma alternativa para as mulheres que querem preservar o útero ou que não podem ser submetidas à histerectomia. Um estudo brasileiro avalia o sucesso desta modalidade de tratamento, dando alento a muitas mulheres 


        

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         Miomas uterinos são tumores benignos que podem dificultar a vida da mulher, quer pela presença de sintomas, tais como hemorragia e dores pélvicas, quer pelo maior risco de infertilidade. Embora em muitos caos sejam tratados conservadoramente, e não causem maiores problemas às portadoras de mioma, em muitos casos o tratamento é cirúrgico e pode levar a perda do útero. É a conhecida e temida cirurgia “histerectomia”. Uma nova forma de tratamento, a embolização do mioma uterino é atual­mente considerada uma alternativa terapêutica para as pacientes portadoras de miomas sintomáticos que desejam a preservação uterina ou que tenham contra-indicação à cirurgia convencional.

 

          Pois bem, um estudo nacional avaliou a eficácia da embolização de mioma uterino em mulheres com miomas volumosos. Vinte e seis pacientes com média etária de 36 anos, portadoras de miomas uterinos sintomáticos, com volume acima de 1.000 cm3 foram submetidas à embolização. Só para se ter uma noção do tamanho destes miomas, o volume habitual do útero é de 100 cm3. Ou seja, um volume até dez vezes superior ao normal. Após o procedimento cirúrgico feito em ambiente hospitalar sob anestesia, as mulheres foram avaliadas clinicamente, em ambulatório de ginecologia, sendo que após 6 meses, 15 pacientes fizeram exames de ressonância magnética de controle A boa notícia é que 100% dos casos obtiveram resultado técnico satisfatório. A média de volume uterino das 15 pacientes baixou de 1.400 cm3 antes da embolização para 800 cm3. Ou seja, uma redução média de 42%.. Mais ainda, a melhora clínica foi constatada em 25 das 26 pacientes. Apenas dois casos precisaram de cirurgias adicionais, mas nenhuma (eu repito nenhuma mulher) perdeu o útero. A conclusão do estudo é que a embolização de miomas uterinos de grande volume é um procedimento factível, com aceitáveis resultados clínico e radiológico.

 

          E pode ser considerada uma opção para as pacientes que desejam a preservação uterina. Em alguns casos isso é considerado como algo muito importante. Pois se para qualquer pessoa retirar um órgão não é tarefa simples, para algumas mulheres retirar o útero é ainda mais complicado (Nasser at al. Embolização de mioma uterino em mulheres portadoras de miomas volumosos. RBGO 2010, 32(11):530-5).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h33

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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