Blog do Dr. Alexandre Faisal

29/07/2011

Reconstrução mamária imediata melhora qualidade de vida

    A reconstrução mamária imediata após a retirada das mamas por câncer é uma opção de cirurgia plástica muito interessante para muitas mulheres. Um estudo brasileiro explica porque

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          Algumas vezes abordamos o delicado tema do impacto emocional do câncer de mama e da mastectomia. Um verdadeiro drama para algumas mulheres, às vezes jovens, que são obrigadas a retirarem suas mamas com parte da estratégia para enfrentar o câncer e continuarem lutando pela sobrevivência. Uma possibilidade de alívio para este difícil momento é a reconstrução mamária imediata, ou seja, aproveitar o tempo cirúrgico da mastectomia para fazer a colocação da prótese mamária.

          Um estudo nacional avaliou prospectivamente os efeitos da reconstrução mamária imediata sobre a qualidade de vida de mulheres mastectomizadas. Foram incluídas 76 mulheres submetidas à mastectomia no Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Universidade Estadual de Campinas, em Campinas, São Paulo, Brasil, entre Agosto de 2007 a Dezembro de 2008. Dois grupos foram formados: 41 mulheres no grupo de mulheres submetidas à mastectomia associada à reconstrução imediata da mama e 35, no grupo de mulheres submetidas à mastectomia exclusiva. A avaliação da qualidade de vida foi feita com o uso do questionário que foi aplicado em três momentos: na data da internação, após um mês e novamente seis meses após a cirurgia. Os principais resultados mostram que em todos os momentos, desde o pré-operatório, a pontuação média do Grupo de Reconstrução Mamária foi maior que da mastectomia exclusiva, principalmente nos domínios físico, psicológico, nível de independência e relações sociais. Mas, sobretudo, houve melhor pontuação no domínio psicológico.

          Um dado interessante para ambos os grupos: o nível de independência baixo no primeiro mês pós-operatório se normalizou após seis meses da cirurgia. Mostrando que as mulheres são fortes o bastante para continuarem em frente e que a reconstrução mamária imediata dá uma forcinha nesta recuperação. (Oliveira et al. Efeitos da reconstrução mamária imediata sobre a qualidade de vida de mulheres mastectomizadas. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. 2010, 32(12):602-608).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h16

26/07/2011

Depressão é mais frequente nas mulheres, também no Brasil

    A depressão, um dos mais comuns transtornos mentais, resulta, muitas vezes, em incapacidade funcional. Um estudo brasileiro avalia se ela é mais frequente nas mulheres. 

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          Os transtornos mentais afetam 25% da população em alguma fase da vida, repre­sentando quatro das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo. Os distúrbios mais comuns são transtornos depressivos, transtornos de uso de substâncias químicas e esquizofrenia. Segundo alguns autores, a depressão deverá ser a segunda doença mais comum no ano de 2020, sendo superada apenas pelas doenças cardíacas. E as mulheres são mais susceptíveis de apresentarem o problema. Um estudo nacional investigou a prevalência de sintomas depressivos e dos fatores associados em uma população adulta do sul do Brasil.

 

          O estudo de base populacional incluiu 972 indivíduos, de ambos os sexos, com idades entre 20 e 69 anos, moradores na zona urbana de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Entre os resultados mais importantes destacam-se as altas prevalências dos sintomas depressivos tristeza, ansiedade, falta de energia, falta de disposição, pensar no passado e preferir ficar em casa, que variaram de 30% a 57%. Em acordo com dados de pesquisas prévias, nacionais e internacionais, observou-se que os indivíduos do sexo feminino, idade avançada, hábito de fumar e obesidade são fatores que se associam à maioria dos sintomas depressivos. O maior risco de sintomas depressivos no sexo feminino, já a partir da adolescên­cia, é um fenômeno bastante conhecido. E a explicação não está no fato de que a depressão é mais diagnos­ticada em mulheres porque elas procuram mais os serviços de saúde. Neste estudo nacional, por exemplo, as entrevistas foram feitas nos domicílios da comunidade. Talvez, a explicação esteja mesmo nas questões socioculturais, relacionadas com as experi­ências adversas e atributos psicológicos e fisiológicos associados com maior vulne­rabilidade a eventos estressantes. Ou seja, é determinado por aspectos psicológicos e biológicos que se mesclam na gênese da depressão feminina.

 

          Mas é justamente este reconhecimento que pode permitir o diagnóstico precoce e a adoção de medidas eficazes, preventivas e terapêuticas. E para quem considera isso uma desvalorização, vale lembrar que no caso da depressão, não se trata de ser pior que os homens, mas sim, de serem diferentes. (Rombaldi et al. Prevalência e fatores associados a sintomas depressivos em adultos do sul do Brasil: estudo transversal de base populacional.. Rev. Bras. Epidemiol. 2010, 13(4):620-629)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h29

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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