Blog do Dr. Alexandre Faisal

05/08/2011

Cesariana no mundo: quem está no "topo do ranking"?

    As taxas de cesariana estão muito altas em diversos países. Além do Brasil, Coréia do Sul, Itália e México estão no topo da lista com índices entre 30 e 35%. Veja o "ranking" publicado nm estudo nacional

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          Um estudo nacional aborda um tópico tão interessante quanto atual: taxas de cesarianas em diferentes países. Os autores da pesquisa fazem uma ampla revisão das práticas de assistência obstétrica em localidades com diferentes perfis e graus de desenvolvimento sócio-econômico. E os resultados impressionam, já que a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), desde 1985, de limitar os partos cirúrgicos em até 15% do total de partos, parece ter sido  esquecida ou renegada.

          Isso mesmo. Raríssimos países estão perto desta taxa e pelo contrário muitos estão longe disso. Pior ainda, alguns  países, com baixas taxas de cesariana, precisariam ter taxas maiores, e só não o têm por conta da falta de disponibilidade de assistência  médico-hospitalar e de barreiras de acesso aos cuidados para a  população. É o caso de alguns países africanos, onde uma em cada 12 mulheres morre por causas obstétricas, possivelmente por restrição de  acesso à assistência adequada de médico e hospital. Por outro lado,  países muito desenvolvidos experimentam um aumento crescente do número  de cesarianas, como é o caso dos estados Unidos.

          Bem, vamos aos  números e ranking da pesquisa. No topo da lista, além do Brasil, estão  Coréia do Sul, Itália e México taxas entre 30 e 35%. Numa zona  intermediária, aparecem Portugal, Austrália e Estados Unidos com mais  de 25%. E lá embaixo, todos os países escandinavos, a República Checa  e Holanda, com taxas inferiores a 18% (mas acima dos 15%). Ao que parece, nos países onde  impera um modelo altamente medicalizado, com uso de alta tecnologia e  pouca participação de obstetrizes, como é o caso de zonas urbanas  brasileiras a chance de nascer por meio de cesariana aumenta.

         Em todos  os lugares do mundo, aceita-se que a cesárea é uma intervenção  cirúrgica originalmente concebida para reduzir o risco de complicações  maternas e/ou fetais durante a gravidez e o trabalho de parto e que  não é isenta de riscos, a despeito das melhorias na segurança dessa  operação. Mas é fato também que o procedimento está cada vez mais  seguro segurança, o que amplia suas indicações. Enquanto a maioria dos  autores concorda que a cesárea deve ser evitada na ausência de indicação médica, outros relatam que melhorias nas técnicas  cirúrgicas, nas medidas de prevenção de infecção e transfusões  sanguíneas permitiriam indicar o procedimento também para a satisfação  dos anseios da mãe e/ou da família.

          O debate está aberto e tudo indica  que todos têm um pouco de razão. (Maluf & Malik, 2011. Modelos de  assistência ao parto e taxa de cesárea em diferentes países. Rev Saude  Publica 2011;45(1):185-94)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h50

02/08/2011

Insônia custa caro para a sociedade

     A insônia afeta 10% da população mundial é um problema mais comum para os idosos e para as mulheres. Um estudo americano avalia o impacto econômico da insônia

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          Insônia é um problema na vida de muitas pessoas, principalmente em idosos e nas mulheres. E nas pessoas com problemas médicos e psiquiátricos. Ela pode ser definida como dificuldade em iniciar ou manter o sono, ou como sono de má qualidade, que tem efeito negativo sobre as atividades do dia a dia. Insônia pode ser uma condição primária ou decorrente de um transtorno subjacente. Neste caso, ela é mais comum em associação com dores, problemas físicos ou psicológicos.

 

          Uma revisão examinou o impacto da insônia na sociedade por meio de índices de qualidade de vida, utilização de serviços de saúde, entre outros tópicos. Dois grupos foram avaliados: adultos entre 18 e 64 anos e idosos, pessoas com mais de 65 anos. Resultados mais do que esperados: as conseqüências sociais da insônia são consideráveis e incluem problemas de qualidade de vida e aumento na utilização dos serviços de saúde. A piora da qualidade de vida e das atividades diurnas, comuns na insônia, pode levar a efeitos indiretos, como menor produtividade do trabalho, aumento dos dias sob licença médica, e uma maior taxa de acidentes com veículos automotores. Para ficar apenas num exemplo, as conseqüências econômicas associadas ao desempenho reduzido no trabalho, devido à insônia, são significativas e podem ser mais importantes do que aquelas associadas com o absentismo. Uma estimativa em adultos com insônia primária crônica relatou que o custo total da insônia devido à redução do desempenho no trabalho era de 860 dólares, mas os custos totais, o que incluía perda de produtividade e falta ao trabalho, foram de 1100 dólares por pessoa ao longo de 6 meses. Ou seja, a insônia é associada com significativo aumento de custos diretos e indiretos para a sociedade. E é quase impossível separar os custos associados com insônia primária e transtornos psiquiátricos.

 

          A proposta dos autores é investimento na padronização do diagnóstico da insônia e a quantificação mais precisa do verdadeiro fardo social do problema. Só assim vai ser possível maior compreensão desta desordem que é muita séria já que estudos estimam que pelo menos 10% da população mundial sofre com a insônia.  Mas que apenas 5% das pessoas insones recebem tratamento adequado. Os outros 95% se limitam a continuar virando na cama ou contando carneirinhos. E ainda por cima vão dividir a conta com quem dorme muito bem. (Wade et al. The societal costs of insomnia. Neuropsychiatric Disease and Treatment 2011:7 1–18)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h14

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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