Blog do Dr. Alexandre Faisal

16/08/2011

A rejeição causa dor

    Quem já não sofreu muito por ter sido rejeitado(a)?. Um estudo mostra que a dor da rejeição não é simples figura de linguagem. 

    Você acha que ser rejeitada(o) causa mesmo uma sensação de dor física ?  Clique aqui para votar 


      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

    

    

 

          Sabe aquela velha história da pessoa rejeitada dizer que ficou machucada?. Que passar por um trauma deste tipo dói?. A pessoa está literalmente falando a verdade. A dor da rejeição não é apenas uma figura de expressão ou de linguagem, mas algo tão real como a dor física. Esta é a conclusão de um interessantíssimo estudo publicado num importante periódico (Proceedings of the National Academy of Sciences). Para chegar a esta conclusão os pesquisadores avaliaram 40 voluntários que haviam passado por um fim inesperado de relacionamento amoroso, nos últimos seis meses. Além disto, eles se sentirem rejeitados por causa deste fato. Cada participante completou duas tarefas, uma relacionada à sensação de rejeição e outra com respostas à dor física, enquanto tinham seus cérebros examinados por ressonância magnética funcional. O resultado mais surpreendente é que fortes sensações induzidas de rejeição social ativam as mesmas regiões cerebrais envolvidas com a sensação de dor física.

 

          A nova pesquisa destaca que há uma inter-relação neural entre esses dois tipos de experiências em áreas do cérebro, uma parte em comum que se torna ativa quando uma pessoa experimenta sensações dolorosas, físicas ou não. Os pesquisadores identificaram essas regiões: o córtex somatossensorial e a ínsula dorsal posterior. Em outras palavras, a pesquisa mostra que experiências intensas de rejeição social ativam as mesmas áreas no cérebro que atuam na resposta às experiências sensoriais dolorosas. Os autores afirmam que a sensação de dor decorrente, por exemplo, do derramamento de uma xícara de café quente sobre o corpo ou do pensamento em alguém com quem se viveu um rompimento, recente e inesperado, provocam dores que são muito semelhantes. O estudo dá uma nova visão e relevância ao trauma emocional, no caso em particular da rejeição.

 

          Evento tão comum, em algum momento da vida, de mulheres, mas também de homens. Ainda que, aparentemente, as mulheres refiram mais do que homens histórias de rejeição. O fato é que agora, pode-se afirmar, com certeza, que rejeição ‘machuca’. Então da próxima vez que você escutar alguém dizendo que está com dor por ter sido abandonada ou preterida. Acredite, ela está dizendo a verdade. (Kross et al. Rejection shares somatosensory representations with physical pain. PNAS 2011)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h44

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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