Blog do Dr. Alexandre Faisal

26/08/2011

Para as mulheres "ter um filho é essencial"

    A fertilização assistida é uma alternativa para muitos casais que não conseguem engravidar naturalmente. Um estudo brasileiro mostra como homens e mulheres encaram o tratamento (e mesmo seu fracasso)

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          Engravidar e ter um bebê é um sonho de muitos casais. No entanto, até 15% deles não conseguem conceber espontaneamente. Felizmente, nas últimas décadas, graças aos avanços da medicina reprodutiva, estes casais têm onde e a quem recorrer. Homens e mulheres com diagnóstico de infertilidade, diante da impossibilidade de conceber um filho, vêem a fertilização “in vitro” (FIV) como a última alternativa. Mas como eles se comportam e sentem diante destes tratamentos?. Existem diferenças na percepção e motivação de homens e mulheres que enfrentam os mais variados tipos de tratamento de infertilidade?.

          Um estudo nacional realizou uma análise qualitativa de entrevistas, com mulheres e homens que estavam iniciando procedimentos de FIV. Os casais já haviam se submetido ao procedimento, sem obter sucesso, no período de 4 a 6 anos antes de serem entrevistados. Os principais achados da pesquisa mostram que a decisão de mulheres e homens de realizar o procedimento estava vinculada à convicção de que obteriam sucesso. E que a aceitação dos procedimentos e do tratamento foi baseada mais no anseio das mulheres que no dos homens. Em outras palavras, diferentemente das mulheres, alguns homens, disseram que ter um filho não era essencial para a sua vida e que a decisão tinha se baseado mais no desejo das parceiras.

          Também curiosa foi a constatação de que os questionamentos e as dificuldades das diferentes etapas dos procedimentos foram minimizados durante sua realização e começaram a se manifestar, apenas, após o fracasso do tratamento. Mas apesar disso, todos os entrevistados consideraram a participação nos procedimentos de fertilização uma experiência válida. Os autores sugerem que no longo prazo, mulheres e homens se dizem satisfeitos de terem realizado os procedimentos e por terem esgotado a última alternativa na busca por um filho biológico. E que essa atitude pode ter favorecido o desenvolvimento de outros projetos de vida, possibilitando que respostas emocionais negativas diminuíssem com o tempo. Enfim, confirma-se um fenômeno observado igualmente em outros estudos: a tendência dos casais a se adaptarem, ao longo do tempo, à infertilidade.

           Para algumas mulheres, pode parecer muito difícil, senão impossível. Mas como diz um ditado popular, quando uma porta se fecha, outras se abrem. (Makuch & Filetto. Procedimentos de fertilização in vitro: experiência de mulheres e homens. Psicol Estud. 2010, 15(4):771-779)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 09h58

23/08/2011

Médicos americanos apoiam bloqueio das menstruações

     A supressão das regras (menstruações) está cada vez mais comum. Um estudo americano avalia como os médicos se sentem sobre esta prática

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        O assunto ocupa os noticiários e reportagens dedicadas ao público feminino: a amenorréia, ou interrupção da menstruação, induzida por métodos hormonais. Ou seja, as mulheres usam continuadamente, sem interrupção, um determinado método hormonal e assim não menstruam. As posturas das mulheres são, muitas vezes, contraditórias. Algumas apóiam, outros condenam. Mas o que pensam os médicos? Eles são contra ou a favor desta nova modalidade de tratamento? Esta questão foi esclarecida por um estudo americano que entrevistou 211 médicos no Oregon, sendo que 90 deles eram ginecologistas. Os autores queriam saber a opinião dos profissionais de saúde e esclarecer se isso poderia ter impacto na decisão das suas respectivas pacientes.  Então vamos lá. Três em cada quatro médicos já haviam adotado esta prática, “às vezes” ou “frequentemente”.

       

          Quanto indagados sobre os benéficos da supressão da menstruação, os ginecologistas foram mais enfáticos neste aspecto do que os demais especialistas. Ou seja, eles acreditavam mais nos benefícios da interrupção das regras. Mas, a mais importante descoberta foi que a atitude do médico foi a variável que mais se associou ao uso estendido de contraceptivos orais na comparação com outras  variáveis, tais como a especialidade do médico, idade, sexo e local de  prática. Ela, a opinião do médico, é que determina a sua prescrição dos anticoncepcionais de uso prolongado e contínuo. E segundo os autores do estudo, muitas mulheres, podem optar por menstruar menos por razões pessoais ou médicas, se foram reasseguradas pelos seus doutores.

 

          O fato é que o assunto ainda não está bem esclarecido que o uso estendido dos contraceptivos pareça seguros, pois não existem estudos com seguimentos de muitos e muitos anos. Apenas um acompanhamento longo poderá esclarecer o impacto desta modalidade de contracepção. Até lá alguma incerteza continuará. E como o assunto ficou grandioso e polêmico, muitas mulheres podem afirmar, quase “shakespearianamente”, “Menstruar ou não menstruar: eis a verdadeira questão”.  (Frederick et al. Extended-use oral contraceptives and medically induced amenorrhea: attitudes, knowledge and prescribing habits of physicians. Contraception 2011)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h15

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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