Blog do Dr. Alexandre Faisal

30/08/2011

Antidepressivo não aumenta risco de câncer mamário

     

     Muitas mulheres tomam regularmente antidepressivos e algumas delas podem se preocupar com um eventual aumento do risco de câncer mamário. Um  estudo canadense têm uma boa notícia sobre a associação antidepressivo e câncer mamário 

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     Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

       

      

          Uma publicação recente sobre a associação entre uso de antidepressivo e câncer de mama traz uma boa notícia para as mulheres que precisam deste tipo de medicação. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), uma classe muito conhecida e utilizada de antidepressivos, não aumenta o risco de câncer de mama. O fato é que em tese, e experimentalmente, este tipo de antidepressivos podia aumentar a proliferação das células mamárias durante uma fase relativamente tardia do desenvolvimento do câncer de mama, por mecanismos diretos ou indiretos. Promovendo crescimento tumoral direto ou por meio do aumento da prolactina, um hormônio que, eventualmente, se associa com câncer mamário. Como os estudos prévios foram conduzidos em 1990, época em que este tipo de medicação não era amplamente usado, a dúvida sobre sua implicação no câncer mamário persistiu. Persistiu, mas está para acabar.

 

          Um estudo canadense, denominado caso-controle, avaliou o efeito da duração do uso e da dose cumulativa dos ISRS sobre o risco de câncer de mama. Os casos incluídos eram 1.701 mulheres, com câncer de mama primário invasivo, e os controles consistiram de mais de 17.000 mulheres, selecionadas aleatoriamente a partir dos registros populacionais. Número de receitas prescritas, dosagem utilizada e duração do tratamento foram estimados. Em relação ao último, foram agrupadas as mulheres que usaram por até 2 anos, entre 2 e 7 anos e mais de 7 anos do medicamento. Neste caso, um tempo adequado para acelerar o desenvolvimento do câncer. Resultado, no geral, o uso ISRS não se associou com um risco aumentado de câncer de mama, independentemente do critério avaliado, ou seja, número total de receitas aviadas ou dose total da droga. Mais ainda, os autores concluíram que o uso crônico dos ISRS não parecem ter efeito latente sobre o câncer de mama. Por se tratar de um estudo que abarcou um período grande na vida das mulheres, graças ao sistema de registro de informações do Canadá, os resultados são promissores e tranqüilizam as mulheres que precisam usar antidepressivos.

 

          E eles terminam reafirmando que não se pode desprezar os benefícios deste tipo de medicamento. E se uma das preocupações das mulheres era com o risco de câncer mamário, agora não deve ser mais. Excelente notícia. Assim, tomar a medicação não é mais uma preocupação para quem já está sobrecarregada e deprimida. (Ashbury et al. A population-based case-control study of Selective Serotonin Reuptake Inhibitors (SSRIs) and breast cancer: The impact of duration of use, cumulative dose and latency. BMC Medicine 2010, 8:90)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h07

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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