Blog do Dr. Alexandre Faisal

11/10/2011

61% dos lares brasileiros consomem muito dentifrício

    A saúde bucal dos brasileiros está melhorando, com queda importante no número de pessoas com cárie. Um estudo nacional avalia a prevalência do uso de dentifrício e o papel da mãe neste consumo familiar

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     Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

   

   

 

          Há muito anos atrás o Brasil foi caracterizado como um país de desdentados. No entanto, estudos têm demonstrado o declínio da experiência de cárie no Brasil, especialmente nos últimos anos. Uma excelente notícia já que a saúde bucal tem estreita relação com a saúde em geral. E de fato, até o risco de doenças cardiovasculares tem sido associado à precária condição da cavidade oral e dos dentes. Mas que ninguém se iluda. Apesar da melhoria nos índices de cárie, a distribuição da doença ainda é desigual, sendo observada maior ocorrência especialmente entre a população mais pobre. Um dos aspectos relacionados às cáries é o uso de dentifrícios.

          Um estudo nacional avaliou o consumo de dentifrício fluoretado e os fatores associados a este consumo, na cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Seiscentos e oitenta e oito domicílios foram selecionados. Um questionário estruturado foi respondido pela mãe para obter dados demográficos, hábitos e consumo do dentifrício. O consumo foi avaliado por meio da duração de um tubo de dentifrício e considerado baixo, no caso de duração maior que 1 mês e alto, no caso de duração menor que 1 mês. Quanto aos resultados, observou-se que 61% dos domicílios apresentaram alto consumo de dentifrício. Quanto aos fatores associados: a idade da mãe superior a 50 anos, frequência de escovação da mãe, número de moradores que utilizaram a escova e motivo cosmético para escolha do dentifrício se associaram com maior chance de alto consumo de dentifrício.

          Um dado curioso foi o achado de que o número de escovações da mãe é um fator significativamente associado ao maior consumo de dente dentro da família, indicando um papel disseminador dos hábitos da mãe nos hábitos da família. Na pesquisa, a escovação freqüente dos dentes pela mãe aumentava em mais de 2 vezes a chance da família usar mais pasta de dente. Mostrando que não basta a mamãe mandar escovar os dentes. É preciso também que ela dê o exemplo. É; vida de mãe não é fácil (Colussi et al. Consumo de dentifrício e fatores associados em um grupo populacional brasileiro. Cad. Saúde Pública 2011, 27(3):546-554).

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h41

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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