Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/10/2011

    O uso da terapia de reposição hormonal vem caindo ao longo da última década. Uma pesquisa americana mostra como as mulheres (não) estão se tratando na menopausa

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     Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

  

          Em 2002, um grande ensaio clínico sobre o uso de terapia de reposição hormonal (TRH) foi interrompido, pois os benefícios do tratamento superavam os riscos. A reposição hormonal avaliada no estudo era uma formulação com estrógeno eqüino conjugado e medroxiprogesterona. A partir daí, o uso da reposição hormonal, em geral, e deste tipo, em particular caiu em todo o mundo. Mas caiu quanto?. Um estudo americano tentou responder esta questão.

 

          Para isso, eles analisaram informações obtidas com médicos que tratavam de mulheres, incluindo mulheres menopausadas. O banco de dados com informações dos médicos seguiu uma série de procedimentos de amostragem para que pudesse ser representativo da situação atual americana, no período de 2001 a 2009. Formulação e dose da terapia de reposição hormonal, bem como diversos dados das mulheres estavam disponíveis neste banco. O resultado mais importante confirma o que já se imaginava e percebia: o uso de TRH recuou a cada ano desde 2002. O uso sistêmico da TRH caiu de 16,3 milhões de consultas em 2001 para 6,1 milhões em 2009. As quedas foram maiores para as mulheres com mais de 60 anos, mas todas faixas etárias antes e após os 50 anos foram atingidas. Por outro lado, o uso da TRH de baixa dose aumentou modestamente, assim como a TRH por via vaginal. Neste caso o aumento variou de 1,8 milhões em 2001 para 2,4 milhões em 2009. Comparado com outros médicos, os obstetras/ ginecologistas mudaram menos suas práticas, aumentando assim a sua quota global de atendimentos em TRH.

 

         

          As conclusões finais dos pesquisadores não deixam dúvida: o uso da TRH tem diminuído e não dá sinais de que isso vá mudar. Mas eles ressaltam que a reposição hormonal tem suas indicações, tal como no caso da presença de sintomas vasomotores, em mulheres sem contra-indicação ao uso destes medicamentos. E que por conta deste fenômeno, muitas evitam serem tratadas. Como ressaltam também que algumas das indicações para TRH, tal como reposição para pacientes mais velhas, uma prática ainda existente no meio médico, não são respaldadas por estudos científicos. Ou seja, quem, precisa deixa de fazer reposição e quem não deve está fazendo (Tsai et al. Trends in menopausal hormone therapy use of US office-based physicians, 2000-2009 .Menopause 18, (4):2011)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h04

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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