Blog do Dr. Alexandre Faisal

08/11/2011

      A sobrevida após o infarto do miocárdio aumentou muito nas últimas décadas em diversos países. Um estudo sueco avalia quem têm melhor sobrevida após o infarto: homens ou mulheres?   

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      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

 

 

 

          Um estudo interessantíssimo aborda um tema delicado e relevante. Quem sobrevive mais tempo após um infarto do miocárdio: homens ou mulheres?. Antes de dar sua resposta vale lembrar que a mortalidade por doenças cardio-vasculares é ainda a mais importante, principalmente, em países desenvolvidos. O Brasil incluído neste seleto grupo. E que a mortalidade após infarto caiu em muitos locais por uma série de fatores. O adequado tratamento aos infartados usado, principalmente, nas primeiras horas após o evento e o controle mais rigoroso dos principais fatores de risco para infarto, tais como hipertensão, diabetes, etc estão entre as possíveis explicações para esta queda. Mas existem poucas evidências sobre o efeito do sexo (gênero) na sobrevida em longo prazo após um infarto do miocárdio. Segundo este estudo sueco existia.

          E a resposta é que as mulheres têm uma sobrevida um pouco melhor do que os homens. Para chegar a esta conclusão eles analisaram a sobrevida específica por sexo dos pacientes, por até 23 anos, após o primeiro infarto. No total, 8.630 pacientes, dos 25 aos 64 anos de idade, sendo mais 6.700 homens e mais 1.800 mulheres, foram seguidos por um período médio de 7 anos, mas que em alguns casos chegou a 23 anos . Durante o seguimento  45,3% dos homens e 43,7% das mulheres havia morrido. A sobrevida média para os homens foi de 187 meses e, para mulheres, 200 meses. Após ajustes para idade a sobrevida das mulheres foi 9% maior do que a dos homens. Para os autores, esta diferença deveu-se ao menor risco das mulheres de morrer antes de chegar ao hospital. Mas eles reconhecem que as razões para a diferença nos resultados, a longo prazo, entre homens e mulheres, não são bem claras. No entanto, o maior número de casos fatais em homens ao chegar ao hospital certamente contribui para o resultado final.

          Infelizmente, os pesquisadores não tinham dados sobre a gravidade do infarto, o que poderia explicar o melhor prognóstico das mulheres. Ainda assim, as diferenças entre os gêneros devem ser valorizadas em todos os aspectos que cercam o infarto do miocárdio, passando pelo reconhecimento dos sintomas, razões para o atraso no diagnóstico ou do início do tratamento. E como se vê a sobrevida, neste caso, favorece as mulheres. Muitos homens podem estar pensando: elas merecem. (StudyIsaksson et al. Better long-term survival in young and middle-aged women than in men after a first myocardial infarction between 1985 and 2006. An analysis of 8630 patients in the Northern Sweden.. BMC Cardiovascular Disorders 2011, 11:1)

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h09

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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