Blog do Dr. Alexandre Faisal

13/12/2011

Fertilização assistida não cria "superpais"

    Muitos casais recorrem, com sucesso, à técnicas de fertilização assisitida. Um estudo português avalia se estes pais investem mais na sua prole na comparação com pais que conceberam espontaneamente

     Na sua opinião, pais que precisaram de técnicas de fertilização assistida para engravidar investem mais no cuidado dos filhos?  Clique aqui para votar 


      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

   

   

          Até 10% dos casais experimentam problemas de infertilidade e, muitas vezes, são obrigados a recorrer a procedimentos de fertilização assisitida. E isso é cada vez mais comum, já que as técnicas estão cada vez melhores e os custos dos procedimentos de fertilização vêm diminuindo. Para se dar um número, aceita-se que mais de 200 mil crianças são concebidas assim, nos países ocidentais, a cada ano.

 

          Uma questão pode passar na cabeça destes pais e também daqueles que conceberam espontaneamente. Será que após sucesso neste tipo de tratamento, estes pais investirão mais nos seus filhos?. Para quem está desde já muito curioso, a resposta é não. Em outras palavras, casais que se submetem a tecnologia de reprodução assistida não investem mais em seus filhos que os casais que concebem de forma espontânea. E isso vai na contra-mão de pesquisas anteriores que indicavam que os casais inférteis podiam atribuir um significado maior à experiência da maternidade e paternidade. Ainda bem. Para chegar a esta conclusão, pesquisadores de Portugal entrevistaram 39 casais que se submetem a terapia de reprodução assistida e 34 casais que conceberam espontaneamente, e concluíram que o único preditor significativo da aceitação e contentamento com o papel parental foi a satisfação conjugal. Nem o método de concepção, nem o a questão do gênero tiveram qualquer associação com investimento parental nestas crianças. Nada disso afetou a aceitação do papel, o prazer na função parental ou conhecimento ou sensibilidade às necessidades dos filhos.

 

          A conlusão é que para se tornar um bom pai e mãe é, provavelmente, mais importante ter uma boa relação conjugal. Independentemente do bebê nascer de um jeito ou de outro. Uma outra maneira de dizer que o investimento nas crianças depende do relacionamento conjugal e do apoio recebido de familiares e amigos, e não de como a criança foi concebida. Ou mais especificamente, pais que recorrem às técnicas de fertilização assistida não são super pais. E que para todos os parentes, antes de sermos bons pais, precisamos ser bons casais. (Garneiro et al. Parental investment in couples Who conceived spontaneously or with assisted reproductive techniques Human Reproduction, Vol.26, No.5 pp. 1128–1137, 2011

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h02

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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