Blog do Dr. Alexandre Faisal

20/12/2011

Morar em grandes centros aumenta risco de esquizofrênia

    A vida num grande centro urbano é para a maioria das pessoas muito estressante. Um estudo alemão/canadense mostra se, e como, o risco de esquizofrênia se associa com a vida urbana  

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      Escute o aúdio abaixo ou leia o texto na íntegra

   

    

    

    

          Você acha a vida na cidade um tormento, que estressa e deprime as pessoas?. Mas ao mesmo tempo não consegue se imaginar vivendo numa cidadezinha ou área rural?. Se suas respostas para as questões acima são afirmativas, você vai se interessar pelso resultados de um estudo publicado na revista “Nature’. Mas antes vale lembrar que mais da metade da população mundial vive agora nas cidades. E que um ambiente urbano saudável é uma das principais prioridades políticas de diversos países. O fato é que a vida nas grandes cidades tem enormes vantagens, mas também traz sérios riscos à saúde. Em particular, a saúde mental é negativamente afetada pela vida nos centros urbanos: transtornos de humor e ansiedade são mais prevalentes em moradores da cidade. Do mesmo modo, a incidência de esquizofrenia é fortemente aumentada em pessoas nascidas e criadas nestes locais.

          Esta é a conclusão de um estudo, conduzido por pesquisadores da Alemanha e do Canadá, o primeiro a mostrar que duas regiões cerebrais, que atuam na regulação da emoção e do estresse são, particularmente, afetadas pela vida urbana. Eles avaliaram as atividades cerebrais de voluntários saudáveis de áreas urbanas e rurais na Alemanha. Por meio da análise de imagens obtidas por ressonância magnética funcional, o grupo observou que viver nas cidades estava associado com maiores respostas ao estresse, na região da amígdala, parte do cérebro envolvida no controle da emoção e do humor. Por outro lado, ter crescido em área urbana se mostrou associado com atividade maior no córtex cingulado, região envolvida na regulação do estresse. Segundo os autores da investigação o risco de desenvolver ansiedade é 21% maior para essas pessoas. Já a incidência de esquizofrenia é quase duas vezes maior em quem vive nos grandes centros.

          Para eles, ao longo da vida da pessoa, regiões do cérebro diferem em vulnerabilidade ao fator ambiental. E conhecer esta associação pode ser útil para melhorar a qualidade de vida nestas áreas. Nós, urbanos, estaremos aguardando, louca e ansiosamente por estas respostas (Lederbogen et al. City living and urban upbringing affect neural social stress processing in humans. Nature  2011,  474 (7352):498-501)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h00

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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