Blog do Dr. Alexandre Faisal

29/03/2012

Fumo passivo: 13% maior risco de malformação fetal

     Ter um parceiro fumante na gestação é um problema para muitas mulheres. Uma revisão de estudos avalia o impacto do tabagismo passivo sobre o recém-nascido

     Você consegue (conseguiria) impedir seu parceiro de fumar ao seu lado na sua gestação?  Clique aqui para votar 

    

     

     

        Muitos estudos já haviam demonstrado que a exposição ao fumo passivo durante a gravidez aumenta o risco de morte fetal, e do bebê nascer com uma malformação congênita. Muitas mães já foram alertadas pelos seus obstetras, parceiros e familiares. Mas será que o pai fumante pode ser incluído nesta advertência?. Ou será que a preocupação recai apenas sobre a gestante fumante?.

          Antes de responder vejamos o que fizeram pesquisadores da Inglaterra para sanar esta dúvida. Eles realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de 19 estudos de diferentes partes do mundo para quantificar o impacto da exposição materna ao fumo passivo em gestantes não fumantes. Os achados mais relevantes mostraram que não houve associação entre fumo passivo e abortamento espontâneo, mas quando se tratava de óbito e malformação fetal a coisa era diferente. O fumo passivo aumento o risco de morte e de malformação fetal em 23% e 13%, respectivamente.Na grande maioria das vezes, o fumante era o marido ou parceiro. E os pesquisadores reconhecem que o momento e o mecanismo deste efeito nocivo do fumo passivo não estão bem claros. Mas admitem, por exemplo, que até o impacto do fumo na qualidade dos espermatozóides paternos possa ser uma explicação.

          Obviamente o impacto do fumo passivo é muito menor do que o tabagismo na gestação, mas nem por isso deixa de ser importante ampliar o leque de medidas protetoras para as gestantes, enfatizando também o pai fumante. Não só na gestação, mas antes mesmo da concepção. Resumo da história: com este resultado, as mulheres que pensam engravidar e as gestantes não fumantes estão autorizadas a dar um chega para lá nos seus maridos fumantes. (Leonardi-Bee et al. Secondhand Smoke and Adverse Fetal Outcomes in Nonsmoking Pregnant. Pediatrics 2011;127;734-41);

   

   

   

    

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h52

26/03/2012

10% das mulheres sofrem de disforia pós-coito?

      Após a relação sexual, em vez de bem estar e tranquilidade, irritação, ansiedade e baixo astral. Uma pesquisa americana avalia quantas mulheres sofrem de disforia após o coito  

     Você já ouviu falar em disforia pós-coito?  Clique aqui para votar 

    

 

 

          Você já ouviu falar em disforia pós-coito?. Isso mesmo, disforia após a relação sexual?. Em vez de bem estar físico e psíquico, relaxamento  ou apaixonamento pelo parceiro ou parceira, uma sensação desagradável de baixo astral, às vezes, associada com melancolia, choro, ansiedade, irritabilidade ou agitação psicomotora. Pior ainda, em alguns casos, necessidade de se distanciar do outro, sem contar os comportamentos agressivos. Pois bem, a disforia pós-coito é considerada por certos especialistas uma verdadeira disfunção sexual que precisa ser incluída nos atuais manuais de diagnósticos.

 

          Pesquisadores americanos e australianos procuraram estimar os fatores associados e a prevalência do problema, nas últimas 4 semanas, em 222 universitárias, sexualmente ativas, com idade média de 24 anos. Diversos questionários foram empregados. Vejamos o que aconteceu. 33% relataram ter experimentado disforia pós coito ao longo da vida, sendo que 10% vivenciaram o problema nas últimas 4 semanas. Outras análises revelaram que a disforia se associa com sofrimento psíquico. E em alguns casos pode estar ligada ao abuso sexual na infância. Mas não foi possível esclarecer se a etiologia da disforia pós-coito envolve um mecanismo relacionado à ansiedade ou humor depressivo. A observação dos autores é de que, no geral, este mal estar após a relação sexual precisa ser mais investigado. Principalmente, porque em alguns casos, mais sérios, diga-se, de passagem, os sintomas podem perdurar por mais de uma hora e não melhoram nadinha com os esforços do ou da parceira para diminuí-los, ou mesmo, eliminá-los.

 

        E como todos sabemos a paciência do outro também tem limites. E aí, o perigo nesta hora é a pessoa além de sentir mal humorada após o sexo, acabar ficando sozinha. (Bird et al. International Journal of Sexual Health, 23:14–25, 2011. The Prevalence and correlates of Postcoital Dysphoria in women)

    

      

      

 

   

    

    

   

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 19h47

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico