Blog do Dr. Alexandre Faisal

24/04/2012

35% das brasileiras reclamam de fluxo menstrual excessivo

      A intensidade do fluxo menstrual é um problema para muitas mulheres. Um estudo brasileiro aborda este tema e ajuda a entender a percepção das mulheres 

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        As pessoas hesitam tocar no assunto e mesmo as mulheres o fazem apenas em círculos íntimos. Até estudos científicos são escassos. Mas sabe-se que há entre as populações ampla variação em termos de duração e quantidade de sangramento menstrual. Um problema importante para algumas mulheres que podem ficar anêmicas e precisarem, em casos extremos, de tratamento cirúrgico. Pois bem. Um estudo brasileiro descreveu estas características e investigou a autopercepção das mulheres sobre a quantidade de sangramento menstrual. Para isso foi realizado um estudo de base comunitária com 865 mulheres, com idades entre 18 e 45 anos, atendidas em 31 unidades de saúde da cidade de Pelotas. Elas responderam questionário estruturado enquanto stavam na sala de espera das clínicas. O sangramento menstrual foi avaliado por meio da pergunta: "Normalmente, como é a quantidade de sangue que você perde em cada período menstrual?".

      

          Resultado mais importante, a prevalência de fluxo menstrual intenso foi de 35,3%. O sangramento menstrual intenso foi maior entre as mulheres mais velhas, com menor escolaridade, obesas, com maior número de gestações e naquelas que relataram períodos menstruais mais longos e preença de coágulos nas regras. O uso de métodos anticoncepcionais hormonais foi fator de proteção contra fluso intensos, como era mesmo de se esperar. O dado de que 1/3 das mulheres se queixavam de fluxo muito intenso é comparável aos de países com Escócia, mas por outro lado é até 4 vezes maior do que o observado em outros países desenvolvidos.

         

          De qualquer modo, uma comparação que não é lá muito fácil de ser feita. Ora porque é difícil mensurar, ora porque as mulheres podem superestimar ou até, mais raramente, subestimar o fluxo menstrual. Mas o grande mérito da pesquisa é abordar o assunto, possibilitando as mulheres uma avaliação real do problema. Até para quem sabe descobrir que nem problema era. (Santos et al. Menstrual bleeding patterns: a community-based cross-sectional study among women aged 18-45 years in Southern Brazil. BMC Women's Health 2011, 11:26)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h20

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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