Blog do Dr. Alexandre Faisal

03/05/2012

Grávidas aceitam bem a piora da vida sexual?

    A sexualidade feminina muda bastante durante a gravidez, e não, necessariamente, para melhor. Um estudo brasileiro avalia se (e como) estas mudanças tem impacto na vida da mulher. 

    Você acha que uma eventual piora da vida sexual na gravidez interfere na vida da mulher?  Clique aqui para votar 

   

  

               A sexualidade muda enormemente na gravidez. E não, necessariamente, para melhor. E muitos casais sabem disso. Mas dimensionar o impacto destas mudanças na vida do casal, e, em particular, compreender como a mulher se sente em relação ao parceiro é outra história. Um estudo brasileiro procurou entender estas mudanças da dinâmica sexual e a percepção das gestantes sobre este tema tão relevante. 137 grávidas de baixo risco obstétrico, sexualmente ativas, atendidas em Unidades Básicas de Saúde, na cidade de Poços de Caldas responderam a um questionário específico sobre sexualidade, além de outros instrumentos de avaliação. O resultado é bastante curioso e exemplifica como a sexualidade é complexa e até mesmo contraditória.

            Embora 61% das mulheres apresentassem uma pontuação alta na escala de avaliação sexual, elas, no geral, se declaravam satisfeitas com a proximidade emocional com seu parceiro, com seu relacionamento, e até com sua vida sexual. Outro dado interessante foi o encontro de uma associação positiva entre disfunção sexual e idade gestacional, queixa de incontinência urinária e ganho de peso excessivo na gravidez atual. Assim quanto mais próximo do parto, presença de perda urinária involuntária e aumento excessivo do peso na gravidez, maior o isco de apresentar disfunção sexual.

 

          Uma hipótese bastante plausível sobre o principal resultado é que durante a gravidez a expectativa de que a função sexual seja afetada, acaba por influenciar a percepção das mulheres sobre a mesmo, tornando-as mais tolerantes ou menos estressadas com eventuais dificuldades sexuais. Tudo isso porque, provavelmente, o foco da gravidez não é vida sexual, mas sim o bebê que está para chegar. É uma excelente explicação, que tem tudo para funcionar, se puder contar com a participação da outra pessoa envolvida na história: o marido. (Naldoni et al. Evaluation of Sexual Function in Brazilian Pregnant Women Journal of Sex & Marital Therapy, 37:116–129, 2011)

   

   

   

  

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h25

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico