Blog do Dr. Alexandre Faisal

16/08/2012

    Auto-avaliações são sempre problemáticas. Mas, ao contrário do que possa parecer, superestimar habilidades pessoais pode ser benéfico. Um editorial da Nature explica como isso acontece. 

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           Pergunte para qualquer pessoa que possua uma carteira de habilitação como ela classifica suas habilidades ao volante e a resposta será “acima da média”. Principalmente se for um motorista. Mude a questão e pergunte sobre capacidade para resolver testes ou tarefas e teremos a mesma resposta. Tente uma pergunta sobre atratividade. E neste caso, principalmente se for uma mulher, ela se colocará também no topo da lista. Pode ser que elas estejam erradas, nas suas auto-avaliações, mão nem de longe podemos imaginar que elas sofram de algum problema mental. Apenas elas sofrem do que se entitula ilusões positivas. Ou seja, elas superestimam suas habilidades, suas capacidades de controle sobre eventos e de certo modo subestimam os riscos que correm. Pois bem isso pode não ser de todo ruim. Pelo contrário, pode até ser muito útil. Esta é a opinião de cientistas apresentadas num editorial do periódico Nature, um dos mais importantes do mundo científico. E eles explicam como isso ocorre.

         Uma auto-avaliação enviesada de si mesma pode, realmente, levar a pessoa a tomar a decisão certa. Por outro lado, uma visão subestimada de si mesma poderia conduzir a pessoa a uma decisão subótima. Aplicada à situação de combate entre 2 oponentes, seria o equivalente a dizer “ eu não conheço bem as forças do meu rival, logo posso derrotá-lo”. Em outro cenário, os combatedores avaliam acuradamente as próprias capacidades, bem como a dos rivais e, neste caso, de avaliações perfeitas, não haverá briga. E o lutador mais forte ganha mesmo sem lutar. No caso das ilusões positivas, a situação muda completamente e o oponente mais fraco, convencido da sua superioridade, leva o mais forte à desistência. Bem, abandone o ringue e pense neste funcionamento nas outras situações do cotidiano: na economia, nos relacionamentos, nas disputas de todos os tipos. E fica claro o benefício das ilusões positivas.

         Segundo os pesquisadores, este tipo de pensamento, chamado a estratégia vencedora, pode ser moldada no cérebro de um jeito curioso que pode ser definido como “lute apenas quando você se julgar mais forte, mas superestime sua força”. Parece muito interessante, mas muitos devem estar pensando que se esta teoria sobre as ilusões positivas estiver errada, pior do que perder dinheiro e mulher é levar uma bela surra. (Veelen & Nowak. Selection for positive ilusions. Nature  477:262-263, 2011)

 

 

   

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h08

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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