Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/09/2012

Auto-avaliação positiva da saúde prediz risco de vir a morrer?

      Estudos sugerem que o modo como a pessoa avalia a própria saúde se associa com  o risco de vir a morrer. Um estudo isralense avalia se (e como) isso funciona

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         Muitas pesquisas mostram que existe uma clara associação entre autopercepção da saúde, ou seja, o modo como você avalia subjetivamente eu estado de saúde, e mortalidade. Mas existe alguma dúvida sobre os elementos que compõem esta autopercepção: o que entra ou não nesta conta tão importante de definirmos, como diz o ditado popular, se estamos bem das pernas ou mais pra lá do que para cá. Mas um sensacional estudo israelense trouxe novas contribuições para o tema. Os pesquisadores procuraram entender o valor preditivo e os componentes desta autoavaliação de saúde, entrevistando e acompanhando ao longo do tempo, 535 idosos, com idade média de 72 anos. Como se podia supor, 121 faleceram durante os sete anos que se seguiram.

        Auto-avaliação da saúde foi significativamente relacionado a uma variedade de indicadores de saúde e sociais, que pareciam ser representado por cinco itens relacionados à saúde e por três características relacionadas aos aspectos sociais. Vejamos quais são elas: condições crônicas, o funcionamento físico, a capacidade de executar atividades diárias, saúde mental, dores no corpo, o estado econômico, a saúde futura, e a saúde dos colegas. Ao contrário de pesquisas prévias, os sinais formais de doenças e as condições já diagnosticas como de grave risco à vida não estavam relacionadas à auto-avaliação da saúde. Auto-avaliação da saúde estava relacionado à mortalidade, juntamente com a idade, sexo, capacidade física e cognitiva, e pressão arterial sistólica. Na conclusão os autores afirmam que a auto-avaliação de saúde é composta por informações de saúde que não estão diretamente relacionada à mortalidade. E que de fato autopercepção de saúde prediz mortalidade também independentemente dos indicadores físicos, tal como idade e evidências clínicas, tal como aumento da pressão sistólica, já que contempla informações não consideradas pela comunidade científica.

          Eles dizem textualmente, que a autoavaliação reflete o gosto pela vida e a habilidade e capacidade de conduzir a própria vida do jeito que se quer. Maravilhoso. Uma lição para todos nós, incluindo os profissionais de saúde, homens ou mulheres, jovens ou não. Algo que precisamos aprender com estes idoso que não se preocupam com a morte porque aproveitam a vida. (Anson et al. Self-Rated Health and Survival: A Seven-Years Follow-up Psychology 201;(2):9, 987-991)

 

 

     

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h35

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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