Blog do Dr. Alexandre Faisal

24/09/2012

Até 5% das mulheres sofrem de fibromialgia

     

Fibromialgia é mais comum nas mulheres do que homens, na proporção de 9:1 e ocorre em até 5% das mulheres ocidentais. Um estudo australiano investiga a relação entre aspectos psíquicos e fibromialgia

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         Fibromialgia é uma síndrome músculo-esquelética, caracterizada por dor difusa e aumento da sensibilidade dolorosa em determinados pontos do corpo. Muito mais comum nas mulheres do que homens, na proporção de 9:1, ela ocorre em até 5% das mulheres ocidentais. Além da dor generalizada, do tipo "dói tudo", há também queixas de fadiga, sono superficial e não reparador, ansiedade, depressão, cefaléia, dormência nas pernas, dor abdominal e alterações do ritmo intestinal. Como não existe uma lesão anatômica bem definida, nem o exame físico é significativo, restam hipóteses paar explicar o problema. Entre elas a de que as pessoas com fibromialgia tenham maior sensibilidade e responsividade a dor.

         Imagina-se que mesmo o menor estímulo doloroso que chegue ao cérebro pela medula espinhal é sentido ou interpretado como intenso. Ou seja, pessoas com fibromialgia tem limite mais baixo para a dor. Mas como e porque isso ocorre não é bem claro. O fato é que a percepção da dor é determinada por aspectos não só neurológicos, mas também psíquicos, tais como modo de enfrentar a vida, fatores estressantes e características de personalidade. Um estudo australiano investigou esta questão comparando dois grupos de jovens mulheres, com e sem diagnóstico de fibromialgia. Foram usados diversos instrumentos de avaliação psicológica. Os autores perceberam que as mulheres que sofriam de fibromialgia apresentavam forte e persistente tendência a vivenciarem intensamente estados emocionais negativos. Aquele limiar mais baixo para a percepção da dor está muito relacionado a esta característica de personalidade. 

         Um evento estressante qualquer que é bem tolerado por outra pessoa, será vivido com grande sofrimento pela pessoa que sofre de fibromialgia. O estudo traz uma contribuição às opções conhecidas, mas não totalmente eficazes no tratamento da fibromialgia, tais como analgésicos, antiinflamatórios, antidepressivos, além das técnicas de relaxamento. Ele mostra que se, de fato, no caso da fibromialgia não é possível modificar o funcionamento cerebral, mudar a forma de enxergar a vida pode ser uma ótima solução (Malin & Littlejohn. Neuroticism in Young Women with Fibromyalgia Links to Key Clinical FeaturesPain Research and Treatment 2012).

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h04

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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