Blog do Dr. Alexandre Faisal

19/10/2012

Mais de 100 milhões de mulheres vivem com sequelas da mutilação genital

Mais de 100 milhões de mulheres vivem com sequelas da mutilação genital, uma prática que apesar de pavorosa, ainda existe em alguns países. Um estudo iraniano investiga os fatores associados à mutilação genital femina

Você sabia que 3 milhões de meninas sofrem mutilação dos genitais a cada ano no mundo?. Clique aqui para votar

        

          A prática ainda existe apesar de causar indignação, espanto e terror. A mutilação genital é definida como remoção parcial ou total da genitália feminina externa por questões culturais ou outras razões não curativas. Realizada por atendentes de parto, em geral, mulheres mais velhas, sem preparo técnico, a mutilação é feita com tesouras, facas, muitas vezes sujas e reutilizadas. Sangramento, infecção e morte são complicações comuns para estas meninas com idades que variam de poucos meses até 15 anos que são submetidas ao procedimento. Se a menina sobrevive às complicações, o impacto negativo sobre sexualidade, no futuro, é quase certo.

          Um estudo realizado no Irã procurou estimar a prevalência e os fatores associados à mutilação genital. Ravansar, a cidade onde foi feita a pesquisa fica a 120 km da fronteira Irã-Iraque, onde esta prática é comum. A partir de um cálculo amostral, eles entrevistaram 320 mulheres, sendo que 55% tinham sido submetidas à mutilação genital. Variáveis como idade, nível educacional da própria mãe e da vítima, bem como atitude relacionada à mutilação foram variáveis que se associaram significativamente. A pesquisa esclarece um pouco a mutilação genital feminina, principalmente para as pessoas que estão distantes desta realidade e podem imaginar que isso não existe mais. Ledo engano. 

          A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 140 milhões de mulheres vivem com sequelas da mutilação e que, ainda hoje, 3 milhões de meninas por ano farão parte desta infeliz e desumana estatística. (Pashael et al, 2012. Related factors of female genital mutilation in Ravansar, Iran. Women’s Health Care)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 12h42

15/10/2012

Ginecologistas perguntam pouco sobre os problemas sexuais das pacientes

Queixas sexuais são frequentes entre as mulheres. Mas será os ginecologistas abordam espontaneamente este tipo de assunto na consulta médica. Um estudo americano tem a resposta

Na sua opinião quem deve tocar no tema vida sexual na consulta médica?  Clique aqui para votar

 

          Na sua consulta ginecológica existe espaço para falar de problemas ou dificuldades sexuais?. Muitas mulheres podem pensar que a resposta a esta questão é sim. Mas neste caso elas estão enganadas. Pelo menos é o que acontece com as mulheres americanas, segundo dados de uma pesquisa feita pela Universidade de Chicago, em Illinois, com mais de 1100 ginecologistas.  Os médicos foram indagados se discutiam a vida  e orientação sexual das suas pacientes; se abordavam temas como satisfação e prazer com a atividade sexual e se falavam de problemas ou disfunções sexuais. 63% dos pesquisados ​​disseram que rotineiramente perguntavam às suas pacientes sobre suas atividades sexuais, mas apenas 40% as questionavam sobre problemas sexuais. Apenas  27,0% perguntaram sobre a orientação e identidade sexual. O pior é um em cada 10 profissionais de saúde nunca havia perguntado sobre prazer sexual.

          Um dado bem interessante foi o perfil do especialista  que abordava temas sexuais: ele era do sexo feminino,  de meia idade, mais habituados com ginecologia do que obstetrícia. Uma possível explicação para os resultados pode ser um déficit na formação do médico sobre o diagnóstico e tratamento de problemas sexuais femininos. Segundo a autora da pesquisa, do mesmo modo que os pacientes, os médicos podem achar que discutir problemas sexuais pode ser ofensivo ou envergonhar o paciente. Mas neste caso, cabe sempre ao médico introduzir o tema. Vale lembrar que a disfunção sexual, além de comum pode interferir nos relacionamentos e causar sentimentos de culpa e vergonha.

           Assim se o médico não pergunta, as pacientes sentem que não podem discutir  o assunto com eles. Mas a autora também sugere que, no caso de dificuldades de comunicação do médico, a paciente pode e deve tomar a iniciativa.  É um jeito delicado de dizer “para você ajudar teu médico a te ajudar”. (Stacy Tessler Lindau . Journal of Sexual Medicine. May 2012)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h47

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico