Blog do Dr. Alexandre Faisal

27/11/2012

Cesariana predispõe a obesidade infantil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gestantes sabem dos vários riscos do ganho excessivo de peso na gravidez. Um estudo americano acrescenta mais um risco à esta lista: a obesidade infantil

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         Muitos obstetras, gestantes e gestores de saúde pública se preocupam, com razão, com o crescente número de cesarianas, no mundo todo, incluindo o Brasil. E a lista de complicações decorrentes ou associadas à cesariana vai aumentar. Além das já temidas complicações para a mãe, um estudo americano, realizado em Boston, afirma que cesariana dobra o risco do recém-nascido vir a ser obeso. Isso mesmo, obesidade na criança. Bem, vejamos os detalhes da pesquisa.

         Entre os anos de 1999 e 2002, pesquisadores avaliaram 1255 pares de mães-bebês que foram atendidos em 8 centros de cuidados pré-natais. Os recém-nascidos foram pesados no parto, aos 6 meses e aos 3 anos de vida e tiveram mensurados índices como dobra subescapular e no tríceps, medidas habituais para caracterização de obesidade infantil. Um em cada 4 partos foi por cesariana. No total, 16% dos bebês nascidos por cesariana ficarem obesos em comparação com 7% dos bebes nascidos de parto vaginal. Dito de outro modo, nascer por meio de cesariana dobrou o risco da criança ser obesa aos 3 anos. Tudo isso controlando fatores tais como peso materno pré-gravídico e peso do bebê ao nascer. O estudo confirma resultado de pesquisa feita na China que acompanhou as crianças até 6 anos de idade . Uma explicação para os diferentes riscos para a obesidade com os dois tipos de parto pode estar no microbioma, as comunidades de microorganismos que colonizam o trato gastrointestinal humano. Cada método pode introduzir diferentes espécies bacterianas. Segundo os autores, bactérias intestinais afetam a eficiência de extração de energia a partir de nutrientes e pode estimular as células a aumentar a resistência à insulina, inflamação e depósitos de gordura. Especificamente, um maior número de determinadas bactérias colonizam os intestinos de crianças nascidas por cesariana. Outros estudos já haviam demonstrado este padrão de bactérias intestinais dos indivíduos obesos. 

         Como único consolo, o estudo não observou diferença no que concerne ao risco de obesidade entre cesarianas programadas e cesarianas de urgência, sugerindo que as bactérias adquiridas no caso da ruptura da bolsa das águas no curso do trabalho de parto, e não apenas no momento da cesariana programada, não elevam o risco de obesidade infantil. Como se observa, está cada vez mais complicado defender a cesariana. (Huh et al. Archives of Disease in Childhood. 2012)

 

 


 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h37

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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