Blog do Dr. Alexandre Faisal

11/12/2012

1/3 das mulheres com endometriose apresenta dor intensa

A endometriose acomete 10% das mulheres e nem sempre é diagnosticada oportunamente. Um estudo brasileiro avalia diversos aspectos associados à endometriose

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          Você já ouviu falar em endometriose?. Pois bem, a endometriose é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do útero, ocorrendo mais frequentemente na cavidade pélvica, acometendo ovário, bexiga e até os intestinos. A doença causa dor nas regras, dor pélvica crônica, infertilidade, dor durante o ato sexual entre outras queixas. Acomete 10% das mulheres e está associada à grande morbidade física e emocional. Tudo isso em função da dor crônica, da infertilidade, da redução das atividades, do isolamento social, dentre outros fatores. Um estudo brasileiro procurou examinar a relação entre aspectos clínicos e qualidade de vida em um grupo de pacientes com endometriose. 

          

           Participaram do estudo 130 mulheres atendidas durante o ano de 2008 em um centro multiprofissional de ginecologia especializado em endometriose. O diagnóstico de endometriose foi realizado por biopsia pós-laparoscopia, segundo os critérios da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. E os dados clínicos e demográficos foram coletados a partir dos prontuários dos pacientes. Dois instrumentos avaliaram a intensidade da dor e qualidade de vida. A idade das pacientes variou de 21 a 54 anos, com média de 34 anos. Entre os dados mais importantes, os pesquisadores constataram que 17% referiram casos de endometriose na família. O tempo médio de manifestação dos sintomas foi de 4,5 anos. 63% das pacientes estavam nos estágios mais avançados da doença e um terço delas dizia que a dor experimentada era severa ou incapacitante. Uma curiosidade já mostrada em outros estudos foi a de que o estadiamento da doença não é determinante da intensidade da dor. Isso significa que estadiamentos avançados da endometriose podem cursar com pouca dor e vice-versa. Outro dado é que o tempo de manifestação dos sintomas também não apresentou relação com a intensidade da dor e com os escores de qualidade de vida. Ou seja, tem mulher que tem diagnóstico de endometriose há muito tempo, mas sofre pouco com isso. E vice-versa.

           Mas falando de qualidade de vida, o estudo mostra claramente que quanto mais dor, menor a qualidade de vida. Uma hipótese sugerida pela pesquisa brasileira é de que a saúde geral das pessoas com endometriose não é apenas determinada pelo estadiamento da doença, tempo de manifestação dos sintomas e intensidade da dor, mas também por outros aspectos psico-sociais. Uma complexidade que nem médicos nem pacientes podem ou conseguem ignorar. (Minson et al. Importância da avaliação da qualidade de vida em pacientes com endometriose. Rev Bras Ginecol Obstet. 2012; 34(1):11-5)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 23h42

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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