Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/12/2012

Queixas sexuais com uso de antidepressivo: o que fazer?

O uso de antidepressivos é cada vez mais frequente. Lidar com as queixas sexuais decorrentes do seu uso também. Um editorial discute as estratégias mais adequadas para este tipo de problema

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          A disfunção sexual é um efeito adverso comum dos antidepressivos, particularmente dos chamados inibidores seletivos de recaptação da serotonina e da recaptação da serotonina e noradrenalina. Até 60% dos pacientes que tomam antidepressivos queixam-se de problemas sexuais. Disfunção sexual inclui desejo ou libido diminuídoa, excitação prejudicada, disfunção erétil e orgasmo retardado ou ausente. Não é a toa que muitas pessoas desistem do uso de antidepressivos, o que em muitos casos aumenta o risco de recaída de sintomas. Um editorial recente discute como abordar esta delicada questão. Um problema inicial é que não é fácil separar os sintomas decorrentes do uso dos antidepressivos daqueles comuns à depressão. Até 50% dos pacientes deprimidos que não foram tratados com os medicamentos podem também apresentar disfunção sexual. E em muitos casos, estes sintomas podem melhorar, e não piorar, com a terapia com antidepressivos. Os mecanismos pelos quais os antidepressivos causam disfunção sexual não são completamente compreendidos, mas podem ocorrer em nível central ou periférico a partir de alterações na função da serotonina, acetilcolina, dopamina, norepinefrina. Levando isso em conta, alguns antidepressivos são de fato pouco indicados se existe desde o início uma queixa sexual. O que fazer?.

           As sugestões incluem se assegurar que a disfunção sexual está mesmo relacionada com a medicação usada. Investigar outros fatores de risco para problemas sexuais tais como idade, abuso de substância, diabetes, doença neurológica, entre outros. Se comprovado que a disfunção sexual está correlacionada com a terapia antidepressiva, existem várias abordagens para resolver o problema. Mas nem todas as sugestões são adequadas para todos os pacientes, e alguns pacientes podem exigir mais do que uma abordagem. O primeiro método é "esperar para ver" , uma abordagem para determinar se o efeito adverso desaparece a medida que o corpo se adapta ao antidepressivo. Mas esta opção em que as queixas sexuais somem ocorre apenas em cerca de 10% de pacientes, e portanto esta opção não é adequado para a maioria dos pacientes. Uma segunda estratégia é a de diminuir a dose do antidepressivo para a dose mínima eficaz. Esta estratégia envolve o risco de recaída dos sintomas depressivos, devido ao tratamento inadequado.

            Outra abordagem envolve a mudança para um outro antidepressivo com um menor risco para a disfunção sexual. E alguns chegam a propor uma breve interrupção de dias do tratamento, no que se pode chamar de “feriado sem drogas”. Assim a paciente para de usar a medicação na quinta pela manhã e só volta a usá-la no domingo à noite, tornando final de semana mais estimulante do ponto de vista sexual. Como se vê estratégias não faltam, cabe descobrir aquela mais indicada para cada caso. Porque convenhamos é estranho ficar “bem de cabeça deixando de lado a sexulidade”. (Sarah T. Melton. How Is Antidepressant-Associated Sexual Dysfunction Managed?. http://www.medscape.com/viewarticle/769813)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 00h46

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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