Blog do Dr. Alexandre Faisal

22/01/2013

Parto cesariana aumenta risco de depressão após parto?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Existem algumas explicações para a mudança de humor que algumas gestantes experimentam após o parto. Um estudo norueguês avalia se o tipo de parto é uma delas 

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         Mudanças no estado de humor são frequentes após o parto. Para muitas mulheres motivos não faltam: preocupação com o bem estar do bebê, mudança na rotina de vida e do casal, mudanças corporais, menos desejo sexual e por aí vai. Segundo elas, a lista é longa. E muitas podem ficar tristes e ansiosas. Mas será que o tipo de parto é um fator importante para eventual mudança de humor?. Será que parto normal ou cesariana tem alguma relação com ficar deprimida após o parto?. Para esclarecer esta interessante questão um estudo norueguês avaliou prospectivamente gestantes com mais de 30 semanas de gestação até 6 meses após o parto. As mais de 55 mil participantes faziam prenatal no período de 1998 a 2008.

          Estresse emocional foi avaliado por meio de instrumento específico com 30 semanas de gestação e 6 meses pós-parto. Dados do parto foram colhidos nos eficientes sistemas de registros do país. O que mais interessou aos autores foi eventual mudança de humor entre um período e outro, bem como a associação com tipo de parto. Vejamos o que aconteceu: Mulheres com parto fórceps, cesariana de emergência ou cesariana programada não apresentaram diferenças quanto à mudança de humor quando comparadas as mulheres que tiveram partos normais, vaginal cesariana. Para chegar a estes dados os pesquisadores ajustaram os resultados para depressão na gravidez, já que gestantes deprimidas têm maior chance de apresentarem depressão após parto. Neste mesmo estudo eles observaram que gestantes deprimidas na gravidez tinham até 14 vezes mais chance de sofrerem de depressão 6 meses após o parto. Outros fatores associados com depressão também foram controlados, sem altera significativamente os resultados, confirmando assim que tipo de parto não é um fator de risco para mudança de humor no período de gestação e pós-parto.

              Muitas mulheres e particularmente as grávidas podem estar pensando: que bom, menos uma coisa parar se preocupar ou ficar chateada. (Adams et al. Mode of delivery and postpartum emotional distress: a cohort study of 55 814 women. BJOG 2012;119:298–305.)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h49

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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