Blog do Dr. Alexandre Faisal

02/04/2013

Histerectomia robótica é mesmo melhor?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A retirada do útero (histerectomia) é uma das cirurgias ginecológicas mais comuns entre as mulheres. Atualmente, ela pode ser feita por meio de técnicas de robótica. Um estudo americano compara as complicações e custos das diferentes modalidades de histerectomia 

Você optaria por uma cirurgia robótica?  Clique aqui para votar

 

          Vamos imagina a seguinte situação: você precisará ser submetida à retirada do útero por uma condição benigna. Um mioma por exemplo. E você pode optar por uma cirurgia robótica em vez da cirurgia laparoscópica ou mesmo a cirurgia tradicional, por laparotomia. O que você prefere?. Antes de responder, vale lembrar que a histerectomia para doença ginecológica benigna é um dos procedimentos mais comuns entre as mulheres. No geral, uma em cada nove mulheres nos Estados Unidos será submetida ao procedimento durante sua vida. E que a histerectomia assistida pela robótica tem sido apresentado como uma alternativa abordagem minimamente invasiva à histerectomia tradicional desde sua aprovação pela FDA americana em 2005.

          E ela vem ganhando espaço nos centros mais avançados em função de vários fatores. Primeiro, a cirurgia robótica é relativamente mais fácil de ser pode ser mais fácil de aprendida do que a laparoscopia. Segundo, ela poder ser usada em casos mais complexos pela grande visão do campo operatório que proporciona e finalmente, médicos e hospitais tem sido alvos de campanhas de marketing dos fornecedores de equipamento. Bem voltemos à situação inicial e vejamos o que mostrou um estudo publicado no JAMA, que comparou as complicações e custos das diferentes técnicas de histerectomia. Dados de mais de 260 mil mulheres submetidas à histerectomia por condições benignas em 441 hospitais americanos no período de 2007 a 2010 foram usados. Dentre os resultados, observou-se que a participação da cirurgia robótica aumentou de 0,5% em 2007 para 9,5% em 2010 entre todas as histerectomias. O índice global adotado para avaliar complicações foi similar: ao redor de 5.4% para cirurgia robótica ou laparoscopia. Como foram similares as taxas de necessidade de transfusão de sangue. Um aspecto positivo foi o menor tempo de internação associado à técnica robótica.

          Se até aí vai tudo bem, na hora de pagar a conta a história é outra. Os custos totais associados com cirurgia robótica foram de US $ 2189  a mais por caso na comparação com a histerectomia laparoscópica. Para ficar mais claro, os custos hospitalares da histerectomia tradicional e laparoscópica foram ao redor de 6700 dólares, enquanto o custo da histerectomia robótica foi de 8800 dólares. Neste caso, trata-se de um avanço ainda difícil de ser justificado. E para as mulheres quem responderam que preferiam ser operadas por técnicas de robótica, fica uma última dúvida: quem vai pagar a conta ?. (Wright  et al. Robotically Assisted vs Laparoscopic Hysterectomy Among Women With Benign Gynecologic Disease. JAMA. 2013;309(7):689-698)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 08h55

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico