Blog do Dr. Alexandre Faisal

16/04/2013

Consumo excessivo de álcool no Brasil foi maior em mulheres do que em homens

 

O padrão de consumo de álcool das mulheres no Brasil mudou nos últimos anos.  Um inquérito nacional apresenta dados inquietantes do uso de álcool e do impacto que isso pode ter.

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          Você acha que o brasileiro consome muito álcool ?. E quanto as mulheres, qual é o padrão vigente de ingestão de bebidas alcoólicas?. Estas importantes questões foram respondidas pelo Segundo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), um estudo coordenado por pesquisadores da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Neste inquérito populacional foram ouvidas 4.607 pessoas, maiores de 14 anos, de 149 municípios de todas as regiões brasileiras. Os participantes responderam a um questionário com mais de 800 perguntas que tinha como objetivo avaliar o padrão de uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas, além de fatores associados ao uso problemático dessas substâncias, como depressão e violência. Quanto aos resultados, eles nos fazem pensar se o brasileiro bebe muito ou não. O fato é que metade da população brasileira é abstêmia. Na outra metade consumidora de álcool, no entanto, aumentou 20% o número de pessoas que bebe de forma freqüente (uma vez por semana ou mais) nos últimos seis anos. Mais curioso, para não dizer preocupante, é o padrão de consumo das mulheres. Na comparação com a mesma pesquisa realizada em 2006 houve aumento do consumo. Por exemplo, considerando o consumo de uma dose (ou mais) semanal de álcool houve mudança de 29% para 39% (ou seja, aumento de 34%). E considerando o consumo excessivo (definido como 5 ou mais unidades de álcool em 4 horas ou mais) o aumento foi ainda maior, de 36%. Estes números foram proporcionalmente menores para os homens (14% e 29%, respectivamente). Só para esclarecer uma dose ou unidade de álcool equivale a 1 lata de cerveja, ½ garrafa de cerveja ou  1 taça de vinho.

          Este consumo pode vir a ter impacto significativo para a saúde pública já que existem evidências de que o consumo de duas ou mais doses de álcool por dia aumenta em 20% o risco de câncer de mama. Outro dado também preocupante é a constatação de que além das mulheres, os jovens brasileiros também consomem muito álcool. No grupo de 20% dos adultos bebedores que consomem mais da metade de todo o álcool vendido no país, uma grande parte é homens jovens, com menos de 30 anos. E isso é claro está associado ao aumento do risco de acidentes e violência. Na amostra quase um terço dos homens jovens bebedores abusivos se envolveu em briga com agressão física no último ano. E por que isso vem acontecendo?. Para os pesquisadores, existem 2 aspectos implicados nesta mudança para pior do padrão de consumo. Uma é o brasileiro em geral está com maior poder aquisitivo. Quem não gastava dinheiro com álcool continua não gastando. Mas os que bebem estão gastando mais com bebida, especialmente as mulheres. O segundo é a falta de regulamentação do mercado ou fiscalização efetiva. Há um ponto de venda de bebida alcoólica para cada 200 habitantes no Brasil. E a maioria vende para qualquer pessoa, inclusive para menores de idade. Se por um lado a famosa lei seca levou a queda de 21% na proporção de indivíduos que relatam ter dirigido após o consumo de álcool no último ano, por outro lado, o índice de pessoas que bebe e depois dirige ainda é alto no país; em torno de 21%. Nos países desenvolvidos este índice é de 1% ou 2%.

          E para finalizar, a pesquisa acaba com outro mito: que o uso de álcool se associa com felicidade. Se isso pode ocorrer com o consumo social e moderado do álcool, já para quem abusa a situação é diferente. O estudo mostrou um índice mais elevado de sintomas depressivos entre os que abusam de álcool: Ser feliz deixou de ser uma desculpa para beber além da conta. (Segundo Levantamento de Nacional de Álcool e Drogas, 2013)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h00

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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