Blog do Dr. Alexandre Faisal

04/06/2013

Complicações do DIU em adolescentes são raras

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Existe alguma resistência de médicos (e também das mulheres) quanto ao uso do DIU (Dispositivo Intra Uterino) em adolescentes. Um estudo americano avalia se isso ainda se justifica 

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          Na contramão do que muitos profissionais pensam e muitos pais temem, adolescentes podem usar o dispositivo intra-uterino (DIU). Mais do que isso, elas devem usá-lo. Pelo menos está é a conclusão de uma recente publicação no importante periódico “Obstetrics & Gynecology”. Para situar o problema, os autores argumentam que embora as adolescentes enfrentem taxas mais elevadas de gravidez indesejada, elas tem menor chance na comparação com as mulheres mais velhas de receberem a opção da contracepção intra-uterina. Mas é claro que para isso ocorra é preciso saber as taxas de complicações do DIU em adolescentes que já fazem uso do método.  Para avaliar o índice de complicações, interrupção de uso e gravidez após colocação do DIU, em adolescentes norte-americanos, pesquisadores analisaram dados de mais de 90. mil que eram portadoras de seguro privado e receberam o DIU, entre 2002 e 2009. Durante este tempo, as taxas de colocação de DIU aumentaram 10 vezes entre as mulheres de todas as idades, embora não tanto nas adolescentes.

          Vamos ao resultados mais importantes. No geral, as complicações graves foram incomuns: perfuração uterina, 0,4 por mil, doença inflamatória pélvica, 0,8 por mil, gravidez ectópica, 0,8 por mil. Entre as mulheres de todas as idades -, mas particularmente entre os adolescentes - complicações e interrupção precoce eram menos comuns com o sistema intra-uterino liberador de levonorgestrel do que com o dispositivo intra-uterino de cobre. Adolescentes não eram mais propensos do que as mulheres com mais de 25 anos de idade a descontinuar ou retirar voluntariamente o DIU no primeiro ano após a colocação. No entanto, elas eram mais propensas a engravidar, mesmo usando o DIU (2% vs 1%). Segundo os pesquisadores a alta fertilidade das adolescentes justifica o uso de métodos bem seguros, ou seja, contraceptivos eficazes, o que inclui o DIU. Além disso, muitos adolescentes sofrem de dismenorréia, as conhecidas cólicas menstruais e, neste caso, contraceptivos altamente eficazes que aliviam estes sintomas, como o implante subdérmico de progesterona e o DIU liberador de levonorgestrel devem ser as primeiras opções.

         Para reforçar esta ideia no mínimo inovadora, para não dizer polêmica, eles afirmam que especial atenção deva ser dada inclusive ao DIU com cobre em relação aos contraceptivos orais cujo índice de falha nesta comparação direta chega a ser 20 vezes maior. Como se vê os preconceitos contra o DIU tão comuns no passado estão com os dias contados. (Berenson, AB et al. Complicações e continuação de uso do dispositivo intra-uterino entre adolescentes segurados comercialmente. Obstet Gynecol 2013)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h09

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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