Blog do Dr. Alexandre Faisal

06/08/2013

Risco de complicação materna grave na 4ª cesariana é de 10%

 

 15% da mulheres americanas terão 4 ou mais filhos, sendo que muitas delas se sumeterão a cesarianas de repetição. Um estudo avalia os riscos de cesariana eletiva comparada à tentativa de parto normal. 

Você mudaria, na primeira gestação, sua opção pela cesariana conhecendo os riscos da cesariana de repetição ?  Clique aqui para votar


          Estatísticas americanas indicam que 67% das mulheres americanas terão 2 filhos e 15% terão 4 ou mais filhos. Neste contexto, o tipo de parto é muito importante, já que o risco associado à cesariana difere em relação ao número de procedimentos efetuados. Ou seja, o risco da 1ª, é diferente da 2ª e assim por diante.  Principalmente, nos dias atuais em que mais mulheres demandam cesáreas e querem evitar o trabalho de parto. O aumento mais importante de causa de cesariana eletiva, já na primeira gestação, é a solicitação materna. Ela mais que dobrou na última década. A questão é como estimar este risco associado ao parto cirúrgico. Ou mais precisamente, qual é de fato o risco de complicações graves decorrentes da ordem da cesariana. Pois bem, um estudo americano procurou esclarecer esta dúvida usando um modelo matemático com base em dados de literatura sobre as complicações maternas, segundo a via de parto.

          Para os autores, interessava a presença de uma dentre as seguintes intercorrências: transfusão de sangue, histerectomia, que é a retirada do útero, tromboembolismo, lesão acidental que demandou correção cirúrgica do órgão lesado e morte materna. Em relação ao bebê, os desfechos adversos de interesse foram paralisia cerebral e lesão do plexo braquial, uma grave complicação que leva a paralisia e atrofia do membro superior afetado. O modelo usado estimou que opta pela cesariana e não pelo trabalho de parto aumentou para 0.3% o risco de complicação grave para a mãe. E isto vai se agravando a cada cirurgia, de modo que na quarta cesariana este risco aumenta até 10%. Quanto ao bebê, no 1º parto, de fato, a cesariana comparada ao parto normal, de fato, reduz o risco já muito pequeno de paralisia cerebral, que é de 2.4 casos para 10 mil partos. Como reduz também o ínfimo risco de lesão do plexo braquial: uma redução de 4 casos para 100 mil partos. Para o bebê, o pequeno benefício inicial não compensa os riscos das cesarianas no futuro, em particular da 4ª cesariana. Neste caso, também para ele, a cesariana é mais perigosa.

          A conclusão da pesquisa é que no final das contas a cesariana na comparação com o parto normal é mais problemática para a mãe e bebê, principalmente, quando a mulher já foi submetida à cesariana anteriormente. Fazendo direitinho as contas, está cada vez mais difícil tratar a cesariana como um procedimento normal, ou melhor, como se fosse um parto normal. (Miller et al. Consequences of primary elective cesarean delivery across the reproductive life. Obstetrics & Gynecology 121(4):789-796,2013)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h23

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

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Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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