Blog do Dr. Alexandre Faisal

13/08/2013

A associação insônia com muitas horas de sono dobra risco cardiovascular na menopausa

        Na menopausa o número de horas dormidas pode ser importante para doenças cardíacas. Um estudo americano avalia qual o impacto da insônia e das muitas horas de sono sobre o risco cardio-vascular

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          Sabe aquela história de que dormir muito faz bem à saúde, que muitos já escutaram de vovós zelosas ?. A verdade pode ser exatamente o contrário, ou seja, dormir muito não é nada para bom para quem planeja viver muitos e muitos anos. Pior ainda se dormir muito se associar com insônia. Isso mesmo, ter dificuldades para pegar no sono e depois dormir muitas horas não é nada bom para a saúde cardiovascular. Estas são as conclusões de um estudo americano com mulheres menopausadas. Trata-se de mais uma publicação oriunda da conhecida pesquisa WHI (Women's Health Initiative), que acompanha mulheres, avaliando diversos fatores de risco e doenças. Neste caso, o interesse dos autores foi estudar a associação entre duração e qualidade do sono e risco de evento cardio-vascular.

          As mais de 86 mil participantes tinham entre 50 e 79 anos e foram seguidos por mais de 10 anos. No início da pesquisa, elas foram classificadas em relação ao número de horas dormidas habitualmente e presença de insônia, definida por diversos critérios tais como dificuldade para adormecer ou acordar mais cedo do que o planejado. As complicações cardiovasculares foram devidamente documentadas no seguimento das mulheres. Os resultados mostram que dormir menos do que 5 horas e mais de 10 horas são prejudiciais para o coração. A mesma observação se aplica no caso da insônia.

          Mas o achado mais interessante e inédito do estudo foi a constatação de que insônia e sono de longa duração se associam com o dobro do risco para complicações cardíacas e vasculares. As explicações para o impacto negativo sobre o coração da insônia, isoladamente, e dos extremos, para mais ou menos, da duração do sono passam pela associação com outras doenças, tais como depressão, diabetes, hipertensão, obesidade, além de questões socioeconômicas. No entanto, os autores tiveram dificuldade em explicar o maior risco relacionado ao binômio insônia e dormir muito. De todo modo, o tema é importantíssimo já que as mulheres, em geral, tem mais insônia do que os homens e isso, claramente, afeta a qualidade de vida delas, principalmente na pós-menopausa. Isso sem contar que o risco cardiovascular das mulheres aumenta progressivamente com o envelhecimento, se aproximando do risco do homem lá pelos 70 anos. Por fim, a pesquisa questiona um antigo mito de que dormir muito é bom para a saúde. Pelo menos para as mulheres, com mais de 50 aos, dormir muito pode com o tempo virar um pesadelo. (Sands-Lincoln et al.. Sleep Duration, Insomnia, and Coronary Heart Disease Among Postmenopausal Women in the Women's Health Initiative. Journal of Women's Health. 2013, 22(6): 477-486)

    

   

   

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 14h32

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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