Blog do Dr. Alexandre Faisal

19/08/2013

13% das mulheres brasileiras são fumantes

O tabagismo ainda é sério problema para a saúde, no mundo inteiro. Uma publicação no Lancet mostra como as mulheres brasileiras se situam neste ranking do tabagismo mundial.

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          O tabagismo contribui significativamente com mortes prematuras; cerca de 9% de todos os óbitos no mundo. Atualmente, o impacto negativo do tabagismo é maior nos países de alta renda, onde 18% das mortes são atribuídas ao uso de tabaco. Já nos países de renda média e baixa estas cifras são, respectivamente, 11% e 4 %. No entanto, o uso do tabaco apresenta tendência oposta entre estes países: decrescente nos países ricos e crescente nos países em desenvolvimento. E isso preocupa. Para traçar um panorama realista da prevalência e fatores associados ao tabagismo nos países de renda média e baixa cientistas de diversos locais publicaram no periódico Lancet dados de pesquisas domiciliares relativos ao período de 2008 a 2010. Foram coletados dados de indivíduos com 15 anos ou mais de 14 nações. Vamos aos principais resultados.

          No geral, 48,6% dos homens e 11% das mulheres eram fumantes, sendo observada enorme variação entre os países. Por exemplo, 21% dos homens brasileiros versus 60% dos homens russos e 0.5% das mulheres egípcias contra 24% das mulheres polonesas usavam algum derivado do tabaco. O maior consumo (82%) era oriundo mesmo dos produtos manufaturados: o popular cigarro. Dois resultados são particularmente importantes e preocupantes: o início precoce do tabagismo entre as mulheres e uma taxa reduzida da interrupção do hábito de fumar. Quanto a este último item, o abandono do cigarro, a taxa é menor que 20% em países como China, índia, Rússia e Bangladesh. Felizmente, o Brasil não faz parte desta lista.

          Mas em termos mundiais não há muito o que celebrar e muitos esforços terão que ser empregados na redução ou eliminação do tabagismo. Uma tarefa nada fácil já que nem todas as ações contra o fumo chegam as pessoas. Estatísticas mostram que se por um lado, mais de 1 bilhão de pessoas estão sob efeito de pelo menos uma política antitabagista, por outro lado, 85% da população mundial não está submetida a duas ou mais ações antitabaco. E neste caso, quantas mais ações, tais como propagandas de advertência nos cigarros, restrição das áreas de fumantes, taxação sobre consumo, melhor. Como se observa, a luta contra o tabagismo continua e o Brasil está indo bem: se não ganhou por nocaute, pelo menos está ganhando por pontos. (Giovino et al. Tobacco use in 3 billion individuals from 16 countries. Lancet 2012; 380: 668–79) 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h40

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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