Blog do Dr. Alexandre Faisal

27/08/2013

Uso do ácido fólico periconcepcional reduz risco de autismo na prole

    

 

 

 

 

 

 

O benefício do uso preventivo (periconcepcional) do ácido fólico já é bem documentado. Um estudo norueguês avalia se o o ácido fólico reduz também o risco de autismo na prole

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          Os benefícios do uso do ácido fólico (AF) no período periconcepcional para a prevenção dos defeitos do tubo neural do feto são bem documentados. Os defeitos do tubo neural, apesar de raros, incluem patologias gravíssimas como anencefalia. Este efeito protetor resultou em importante recomendação para as mulheres que planejam engravidar: o uso do AF de 1 a 3 meses antes da concepção, prescrição que será mantida no primeiro trimestre da gravidez. Mas será que o AF pode ter outros benefícios para o futuro bebê?. Em outros termos, o uso profilático do AF reduz o risco de transtornos neuropsicomotores do desenvolvimento?. Pois bem, um estudo norueguês procurou avaliar o impacto do uso do AF periconcepcional sobre a incidência das desordens do espectro autista, que incluem não só o autismo, mas também a Síndrome de Asperger e outros transtornos inespecíficos do comportamento.

          Os autores contaram com dados de mais de 85 mil crianças cujas mães fizeram parte de um estudo prospectivo, entre 1999 e 2009. Elas foram incluídas na pesquisa na 18ª semana de gestação, quando então responderam a questionários sobre uso de AF, na forma de suplementos vitamínicos ou na dieta. Os casos de transtornos do espectro autista foram identificados aos 3, 5 e 7 anos por meio de entrevista com a mãe e cruzamento com banco de dados nacional. Posteriormente, houve confirmação do diagnóstico com um especialista. Ao final do estudo, 270 crianças receberam um diagnóstico relacionado ao transtorno, sendo que 114 foram diagnosticadas como autistas. Resultado mais importante, o uso do AF se associou com redução do risco de autismo. Melhor ainda, o resultado não se alterou após controle por outras variáveis, tal como nível educacional materno.

          O estudo publicado no prestigiado periódico JAMA reforça dados já publicados sobre mais este benefício do AF. Finalmente, embora os autores da pesquisa não saibam explicar o possível, ou possíveis mecanismos de ações do AF, na prevenção do autismo, é mais um ponto positivo para este nutriente nesta importante etapa da vida da mulher: a maternidade. (Surén et al. Association between maternal use of folic acid supplements and risk of autism spectrum disorders in children. JAMA 2013;309(6):570-8)

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 13h37

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

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Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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