Blog do Dr. Alexandre Faisal

10/09/2013

Comportamento de risco difere entre espiritualizados e religiosos

   

 

 

 

 

 

 

 

Comportamentos de risco tais como usar drogas e consumir álcool podem estar associados com crenças religiosas. Um estudo inglês avalia se isso difere segundo o tipo de crença 

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          Aceita-se, com tranquilidade e convicção, que pessoas religiosas, crentes e praticantes, tem melhor saúde, física e mental. Mesmo levando-se em conta outras variáveis tais como idade, gênero e condição socioeconômica. No entanto, muitos estudos têm dificuldades em medir religiosidade. E alguns, literalmente, pecam em incluir nesta avaliação o bem estar como componente da religiosidade. Pois bem, um estudo inglês procurou contornar este problema ao realizar inquérito nacional, com visitas domiciliares, para avaliar morbidade psiquiátrica, entre os anos de 2006 e 2007.

          Os pesquisadores analisaram dados de mais de 7400 entrevistas, nas quais foram investigadas aspectos relacionados à espiritualidade, religiosidade, problemas físicos e mentais. Religiosidade foi definida como praticar atos relacionados à fé, tal como frequentar igreja, mesquita ou sinagoga. Espiritualidade foi definida como ter crenças sem atuações práticas cotidianas. Quanto aos resultados, 35% dos participantes tinham compreensão religiosa da existência humana, sendo que 19% foram classificados como espiritualizados, mas não religiosos e 46% não eram nem uma coisa nem outra. Pessoas religiosas eram muito semelhantes aos que não eram nem religiosos nem espiritualizados, em relação aos transtornos mentais. No entanto, os religiosos tinham 27% menos chance de terem usado drogas e 20% menos chance de consumir álcool de maneira perigosa. Já aqueles classificados como espiritualizados, a história é bem diferente. Na comparação com as pessoas não religiosas, não espiritualizadas, eles tinham mais chance de apresentarem comportamentos de risco, tais como ter usado droga, álcool e apresentarem transtornos mentais, tais como ansiedade, fobia e neurose. Ah eles também consumiam mais medicamentos psicotrópicos.

          Para os autores, as pessoas que tem entendimento espiritual da vida, mas que não tem arcabouço religioso, formam grupo mais vulnerável à doença mental. Uma das hipóteses para tal resultado é de que crenças, no caso, as espirituais, estão na verdade associadas com características negativas da personalidade. Mas os próprios autores admitem que a dificuldade de explicar estes resultados. Que convenhamos vão deixar muitos crentes, não religiosos, na dúvida. (King et al. Religion, spirituality and mental health: results from a national study of English households. BJPsych 202, 68–73, 2013).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h55

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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