Blog do Dr. Alexandre Faisal

24/09/2013

Você conhece o conceito de risco em medicina?

    Um aspecto essencial da relação entre médicos e pacientes é a "comunicação de riscos".  Um editorial do BMJ discute as dificuldades de médicos e de pacientes na abordagem do  risco de adoecer.


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          Um aspecto essencial dos cuidados de saúde é a forma como as pessoas entendem o que é risco. E a contrapartida é o modo como os médicos comunicam aos seus pacientes estes riscos. Segundo um editorial publicado no BMJ, comunicação de risco é definida como “a dupla via da troca de informações (entre médico e paciente) sobre danos e benefícios, com o objetivo de melhorar a compreensão dos riscos e levar à melhor opção de cuidados de saúde”.  Isso se aplica a cenários diversos, tais como fazer exercícios ou usar determinado remédio com fins de prevenção ou cura. A comunicação de riscos é fundamental já que pessoas percebem o risco de modo diferente, dependendo também do seu grau de conhecimento e compreensão do fator de risco em questão. Além, claro, do modo como ele é transmitido. Tudo isso afeta o comportamento da pessoa que é direcionado à busca de soluções. Tomemos o exemplo do risco de ficar gripada. No caso, a pessoa que se considera mais vulnerável, portanto com maior risco de ficar gripada, tem maior chance de vir a ser vacinada. Ou seja, de adotar uma medida preventiva e eventual eficaz. Se neste caso, muitos podem argumentar que não há nenhum problema em ser vacinada, em outras situações médicas, não é bem assim.

          O editorial aborda série de questões relacionadas a este tópico menos discutido da relação entre médicos e pacientes, tais como a importância de personalizar riscos individuais, usar números absolutos e não relativos para falar de risco e até as incertezas próprias da medicina. Incertezas que incomodam médicos e pacientes, mas fazem parte da vida. Mas para ilustrar, para nossas ouvintes, esta história de comunicação de riscos, vejamos o seguinte exemplo. A senhora Jones, 50 anos de idade, poderá optar por receber uma das duas seguintes informações sobre risco de câncer de mama. 1ª: a detecção precoce do câncer de mama com a mamografia reduz o risco de morte por câncer de mama em 15%. 2ª: é preciso realizar mamografias anualmente por mais de 10 anos em 200 mulheres para salvar uma mulher da morte por câncer mamário. Se você fosse a senhora Jones, qual informação você escolheria?.  Possivelmente a 1ª, já que soa muito melhor falar em detecção precoce e redução de risco, do que se imaginar fazendo mamografias desnecessárias, anualmente, por tantos anos. Se é este o seu caso, saiba que as duas opções traduzem exatamente a mesma informação, real, sobre o câncer de mama após os 50 anos. Mas a traduzem, na forma de comunicação de riscos, de modo muito diferente. Como se vê, também em medicina você pode se sentir enganada recebendo apenas informações verdadeiras. (Ahmed et al. Communicating risk. BMJ 2012)

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h59

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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