Blog do Dr. Alexandre Faisal

22/10/2013

Risco de gravidez quase dobra em jovens que usam coito interrompido

   O uso do coito interrompido é comum em jovens.  Um estudo americano mostra o índice de falha do  método e qual a recomendação dos médicos sobre esta modalidade de anticoncepção

 Você já usou o coito interrompido alguma vez como único método contraceptivo?  Clique aqui para  votar

 

 

 

 

         

         Nos Estados Unidos, até 80% das gestações em mulheres com até 24 anos de idade não são planejadas. E mais da metade das gestações indesejadas ocorrem em mulheres que estavam usando contraceptivos. De modo irregular é claro. E alguns estudos indicam que gestações não planejadas se associam com complicações obstétricas, tais como nascimento de bebe de baixo peso e prematuro. Isso sem contar o impacto para a mãe na sua relação com seu núcleo social e seu próprio bebê. Um dos métodos pouco estudados, e que está muito relacionado a gravidez não planejada, é o coito interrompido. Coito interrompido é a retirada do pênis da vagina antes da ejaculação e existem dúvidas sobre a frequência do uso e a eficácia do método.  Mas admite-se que até 60% das pessoas já usaram o método, pelo menos uma vez na vida e que seu uso correto se associa com risco de no máximo 4% de gravidez por ano, um risco comparável ao uso da camisinha.

          Para esclarecer estas dúvidas, um estudo americano procurou estimar a prevalência e eficácia do uso de coito interrompido em mulheres com idades entre 15 e 24 anos. Os dados foram obtidos de uma base de dados de uma pesquisa conduzida entre 2006 e 2008 e avaliaram a associação entre o uso do coito interrompido ou não, com posterior gravidez, num período de até 47 meses. Durante o período de estudo, 31,0% das mulheres utilizaram coito interrompido. Dentre estas mulheres, 21,4% engravidaram sem querer. A taxa de gestação não planejada no grupo de mulheres que usavam outra forma de contracepção foi de 13,2%. Na comparação entre estes grupos, usar coito interrompido se associou com um aumento do risco de gravidez de 75%. Outros dois dados não causaram surpresas. Quando se levava em conta o estado civil, mulheres casadas usavam menos o método do que as solteiras. E, no geral, usar coito interrompido aumentava a chance de usar um outro método contraceptivo de urgência. A pesquisa mostra que coito interrompido como forma de contracepção é comum e pode colocar as mulheres em maior risco de gravidez indesejada. No entanto, eles ressaltam que este método não deve ser demonizado, já que para alguns casais monogâmicos, disciplinados e com excelente grau de comunicação ele pode funcionar. Sem contar que numa situação excepcional, de relação sexual consentida, mas não prevista, é melhor usar o coito interrompido do que nada. Mas isso não significa que o método contraceptivo se associa com maior risco de gravidez, para mulheres jovens. As mesmas jovens que muitas vezes assumem comportamentos de risco, como por exemplo, envolvimento com vários parceiros. E aí a eficácia do método diminui.

          A mensagem final é de que os médicos devem investigar nas consultas de rotina com jovens pacientes o uso do coito interrompido. E alertá-las que sexo sem planejamento e com coito interrompido pode deixar de dar prazer e dar muita dor de cabeça (Dude et al. Use of Withdrawal and Unintended Pregnancy Among Females 15–24 Years of Age. (Obstet Gynecol 2013;122:595–600)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h12

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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