Blog do Dr. Alexandre Faisal

10/12/2013

38% das mulheres menopausadas se queixam da atrofia vaginal

    A vida sexual dos casais na meia idade pode ficar muito prejudicada pela atrofia  vaginal. Uma pesquisa européia mostra o impacto do problema e do tratamento  para as mulheres e seus parceiros 

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                    A atrofia vaginal é condição crônica e progressiva resultante da perda do hormônio estrogênico, após e ao redor da menopausa. A vagina fica ressecada, irritada e com a falta de lubrificação o coito se torna complicado. Muito complicado. Um estudo inglês, com o sugestivo nome de CLOSER, procurou avaliar o impacto da atrofia vaginal e suas opções de tratamento na relação e intimidade do casal, por meio de várias perguntas. Foram incluídas 1.600 mulheres e 1.600 homens do Norte da Europa, os países escandinavos e 1.000 mulheres e 1.000 homens do sul da Europa, mais especificamente França e Itália. A preocupação de que o desconforto vaginal nunca iria embora foi expressa por até 38% das mulheres. Uma em cada 4 mulher temia que o problema iria arruinar definitivamente a vida sexual do casal. Definitivamente, pois no presente metade das mulheres estavam evitando sexo por conta da dor. Isso sem contar que a atrofia vagina se associou com baixa auto-estima e problemas emocionais.

          Uma curiosidade, o impacto do ressecamento vaginal foi maior nas mulheres do sul da Europa. Quanto aos homens, eles viam com bons olhos a discussão com suas parceiras do problema, mas também muitos temiam que isso seria para sempre. Nos caso em que o homem percebia o afastamento  da esposa e a perda de intimidade, eles atribuiam este comportamento a dor durante o ato sexual. Mas existem nem tudo é má notícia. O tratamento com estrogênio local, melhorou as relações, particularmente nos casais franceses e italianos. Talvez até porque elas já se ressentiam mais do problema. 

           Para concluir, os autores lembram que muitas mulheres menopausadas não reclamam do problema e, por sua vez, os médicos não incluem este tipo de avaliação na consulta. Resultado, o problema não vai regredir ou melhorar espontaneamente e as mulheres e maridos podem se afastar cada vez mais. Justo numa época da vida em que eles precisam estar bem próximos. Com ou sem sexo.  (Nappi et al. The CLOSER survey: Impact of postmenopausal vaginal discomfort on relationships between women and their partners in Northern and Southern Europe. Maturitas 75 (2013) 373– 379)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h06

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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