Blog do Dr. Alexandre Faisal

21/01/2014

Estilo de vida influencia os ciclos menstruais?

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Queixas relacionadas ao ciclo menstrual são frequentes. Um estudo dinamarquês avalia se o estilo de vida da mulher interfere nas menstruações. 

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         O ciclo menstrual depende de uma complexa interação entre órgãos e hormônios. As irregularidades do ciclo não são preocupantes apenas pelas questões estéticas ou higiênicas. Sabe-se que as mulheres com ciclos menstruais anormais podem ter maior risco de doença cardiovascular, diabetes do tipo 2, osteoporose, infertilidade e cancer de mama e do endométrio. Por isso entender os fatores modificáveis relacionados ao estilo de vida que interferem no ciclo menstrual é muito importante. Este foi o objetivo dinamarquês que procurou examinar a associação entre os fatores do estilo de vida e características do ciclo menstrual em mulheres nulíparas com idades entre 18-40 anos, que estavam participando de um estudo de coorte prospectivo, baseado na Internet sobre planejamento futuro da gravidez. Foram coletados dados sobre idade, índice de massa corporal (IMC), atividade física, consumo de álcool e cafeína, tabagismo e sobre a prevalência de ciclos irregulares, levando em conta a intensidade e duração do fluxo. Os ciclos foram classificados como curtos (menores do que 25 dias) ou longos (maiores que 33 dias).

       Vejamos os prinicpais resultados: baixa atividade física e consumo de álcool foram associados com um aumento da prevalência de períodos irregulares. Sobrepeso e obesidade, tabagismo e consumo de álcool e cafeína foram relacionados a aumento da prevalência de ciclos menstruais curtos e sangramento menstrual intenso. As mulheres na faixa do 35/40 anos tinham fluxo menstrual mais curtos, menos intensos e com menos alterações na comparação com as mulheres entre 18 e 25 anos de idade.

          A conclusão dos dos autores é sobrepeso, obesidade e sedentarismo podem influenciar o nível de hormônios endógenos e interferir na menstruação. As mesmas conclusões com menor magnitude podem ser aplicadas ao tabagismo e uso de álool.  Felizmente, estes fatores podem ser modificados, o que significa que para algumas mulheres com problemas de ciclos menstruais, vale a pena implementar algumas mudanças comportamentais antes, ou conjuntamente, ao tratamento clínico. É um jeito de dizer: desperte o médico que existe em você. (Hahn et al. Correlates of menstrual cycle characteristics among nulliparous Danish women.  Clinical Epidemiology 2013:5 311–319).

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h23

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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