Blog do Dr. Alexandre Faisal

28/01/2014

Novos critérios de várias doenças estão mais inclusivos

     

 

 

 

 

 

 

 

Critérios diagnósticos para determindas doenças podem mudar ocasionalmente. Um estudo americano avaliou não só as mudanças recentes de critérios para 16 doenças comuns, mas também o tipo de vínculo entre os especialistas propositores das mudanças e a indústria farmacêutica 

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         Critérios diagnósticos podem mudar em função dos avanços tecnológicos, tratamentos, novas descobertas e até fatores culturais. Esta tarefa é comumente realizada por painéis de especialistas ou influentes grupos de trabalho que publicam resultados como relatórios especiais ou diretrizes clínicas. Muitas vezes, estas alterações são benéficas, mas crescente reconhecimento de que a ampliação das definições da doença pode ser um fator que contribui para o problema do “excesso de diagnóstico”. Isto já foi documentado no câncer de mama e de próstata. A preocupação é que para, algumas pessoas, com sintomas mais leves, pelo menor risco, ou nos estágios precoces da doença, os danos do diagnóstico e tratamento antecipados superem os eventuais benefícios da terapia. Pois bem, um estudo americano levantou uma inquitante questão sobre os laços financeiros dos especialistas participantes destes painéis de consenso e as mudanças nos critérios diagnósticos de diversas condições comuns, tais como depressão, diabetes e hipercolesterolemia.

          Eles avaliaram as propostas dos painéis de critérios diagnósticos, no período de 2000 a 2013, nos Estados Unidos, levando em conta a extensão e duração dos laços divulgados entre os especialistas e as companhias farmacêuticas. Os resultados não são nada animadores. De 16 publicações sobre 14 doenças comuns, dez alterações propostas ampliaram os critérios diagnósticos, o que significa a inclusão de maior número de pessoas a serem tratadas. Esta ampliação ocorreu pela criação de uma fase de ''pré- doença'', redução dos limiares de diagnóstico ou proposição de novos métodos de diagnóstico. Mas no geral, os riscos desta nova classificação não foram analisados. Entre estes 14 painéis de consenso havia média de 75% de especialistas com vínculos com a indústria farmacêutica que comercializava o tratamento para a doença em questão. Vínculos de mais ou menos 7 anos de duração.

          Os autores recomendam, portanto, apreciação crítica, por parte dos médicos e pacientes, dos novos critérios diagnósticos. Já que interesses econômicos podem estar implicados nestas definições. É como dizer que você passou a ser doente tendo exatamente a mesma condição de saúde. (Moynihan et al. Expanding Disease Definitions in Guidelines and Expert Panel Ties to Industry: a cross sectional Study of Common Conditions in the United States. PLoS Med 10(8): e1001500, 2013)

  

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h31

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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