Blog do Dr. Alexandre Faisal

18/03/2014

Casamento entre primos aumenta risco de malformação fetal?

  Existem muitas dúvidas sobre os riscos para o bebê do casamento entre primos de primeiro grau. Um  estudo inglês mostra se isso é se justifica 

  Você é contra ou a favor do casamento entre primos ? Clique aqui para votar

 

 

 

 

       Muitas pessoas se questionam sobre os riscos para o futuro bebê do casamento entre primos de primeiro grau. Mesclando questões culturais, religiosas e médicas há de modo geral uma advertência contra este tipo de união.  Mas será que do ponto de vitsa médico é isso mesmo?. Um estudo interessantíssimo publicado no periódico Lancet afirma que sim. Os pesquisadores inglêses tinham interesse em compreender porque em bebês de origem paquistanesa, muitos deles fruto de casamento entre primos, a causa mais comum de mortalidade é a malformação congênita (MFC). Para os demais bebês é a prematuridade é a principal causa. Eles investigaram a incidência de anomalias congênitas em estudo com mais de 11.000 bebês, no período de 2007 e 2011.

        Diversos dados maternos foram analisados. No total, 3% dos bebês tiveram uma anomalia congênita, sendo as malformações cardíacas e do sistema nervoso central as mais comuns. O risco de MFC era duas vezes maior para as mães de origem paquistanesa na comparação com aquelas de origem britânica. Um dado surpreendente é que 18% destes bebes eram fruto de casamento entre primos, principalmente de origem paquistanesa. Mais importante, a consangüinidade se associou com o dobro do risco de anomalia congênita. De fato, nesta comunidade, a consanguinidade teve o mesmo impacto negativo sobre formação fetal que a gestação após os 34 anos para as mulheres inglesas. Os resultados são similares ao de estudos na Noruega e Israel. Os autores afirmam ainda que os risco da união consanguínea não podem ser explicados por variáveis como pobreza, acesso ao pré-natal ou menor taxa de aborto entre certos grupos de mulheres. Por outro lado, não sabem dizer como isso ocorre. Mas, possivelmente, a explicação está na amplificação dos riscos genéticos.

          Ao final, eles sugerem que casais consanguíneos sejam orientados quanto a este risco para que possam tomar medidas adequadas na gravidez. Como se vê, para primos apaixonados, prevenir é mesmo melhor que remediar. (Sheridan et al. Risk factors for congenital anomaly in a multiethnic birth cohort: an analysis of the Born in Bradford study. Lancet 2013; 382: 1350–59)

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 11h02

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico