Blog do Dr. Alexandre Faisal

29/04/2014

Piercing genital é incomum entre jovens universitárias brasileiras

Os cuidados com os genitais femininos mudaram nas últimas décadas. Um estudo nacional avalia o uso de piercing, tatuagens e outras práticas em jovens universitárias. 

Você usa (ou usaria) piercing genital ? Clique aqui para votar

 


 

 

 

         O assunto é cercado de tabu, mas tem claras implicações médicas: a mudança recente dos cuidados com a região genital. Mulheres de todas as idades, mas, sobretudo, as jovens usam vestimentas, tatuagens e adornos que podem se associar com maior risco de infecção e até interferir na atividade sexual. Em particular, o uso de piercings, colocado às vezes, nos grandes lábios. Isso sem contar novas modalidades de depilação. Mas estudos sobre o tema são incomuns. Um estudo nacional realizado em Campinas procurou preencher esta lacuna, descrevendo as práticas e cuidados com a área genital de 364 estudantes universitárias. Elas tinham idade média de 21 anos. Por meio de questionário eles avaliaram o uso de roupas íntimas, piercings corporais, tatuagens, depilação e até de práticas sexuais.

          Quanto aos resultados, boa parte sabe que calcinhas de algodão são as mais indicadas, mas 75% usavam calças jeans apertadas e somente 18% deixavam de usar calcinha para dormir. Apenas uma participante relatou ter piercing genital e nenhuma tinha tatuagem. A maioria das universitárias faz depilação genital, sendo que aproximadamente um terço delas o faz de forma completa. Os autores concluem que mulheres jovens de universidade pública brasileira não costumam usar piercings ou tatuagens genitais, mas têm muitos hábitos inadequados de cuidados relacionados à sua área genital. Por exemplo, o uso de jeans justos, quase uma obrigatoriedade entre jovens, se sobrepõe ao uso freqüente de calcinhas de algodão para o surgimento das infecções.

          Mas quanto à depilação total, pelo menos, elas têm um álibi. Os estudos não são conclusivos sobre os riscos da depilação total genitais. E é possível que não haja nenhum problema com esta opção. É literalmente uma opção de fórum íntimo. (Giraldo et al. Hábitos e costumes de mulheres universitárias quanto ao uso de roupas íntimas, adornos genitais, depilação e práticas sexuais. Rev Bras Ginecol Obstetr 2013;35(9):401-6).

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 09h14

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

Histórico