Blog do Dr. Alexandre Faisal

10/05/2014

Ter filhos promove o bem estar e felicidade da pessoa?

No dia das mães, muitas mulheres sem filhos podem se questionar sobre seu bem estar e felicidade. Um estudo americano avalia se casais sem filhos são mais ou menos felizes

No que concerne ao bem estar e felicidade, em relação aos casais com filhos, casais sem filhos são ....... ? Clique aqui para votar

         Na sua opinião, conviver com crianças melhora ou piora seu bem estar e felicidade?. A questão, ao mesmo tempo polêmica e difícil de ser respondida sem o viés da paixão, foi o tema de uma publicação do importante periódico PNAS. Os pesquisadores analisaram na primeira parte da pesquisa dados de mais de 1.7 milhões de adultos americanos. E para os leitores e ouvintes que estão esperando uma resposta simples, do tipo “melhora ou piora”, os resultados são uma absoluta surpresa. Vamos a eles. Primeiro, na comparação com pessoas sem filhos, pais expressam mais emoções e sentimentos positivos, mas vivenciam, obviamente, mais estresse.

         Segundo, e aí vem a surpresa, os indivíduos que se tornam pais apresentam certas características, tais como melhor nível de escolaridade e de saúde, que justificam o bem estar na relação com os filhos. Quando estas características são controladas na análise, ter filhos ou conviver com crianças deixa de ser importante para  a felicidade da pessoa. Para os autores, a explicação para este dado está no fato de que as pessoas, homens e mulheres, que desejam ter filhos, antevêem ou antecipam os custos e benefícios desta experiência. E como tal, ficarão bem ou felizes, convivendo com os filhos. Ou seja, os filhos fazem parte de um projeto de vida, que já vai bem.

          Mas eles especulam que o mesmo raciocínio vale para as pessoas que optam por não tê-los. Elas também fazem estes cálculos e entendem que a felicidade não está necessariamente na convivência com filhos. Bem da próxima da vez que lhe perguntarem se os filhos aumentam sua felicidade responda com tranqüilidade “depende”. (Deaton & Stone. Evaluative and hedonic wellbeing among those with and without children at home. PNAS 111(4):1328-33, 2014)

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 15h51

06/05/2014

Após 50 anos, apenas 53% das brasileiras classificam a vida sexual como ótima/boa

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A sexualidade feminina, após os 50 anos, sofre grandes mudanças. Um estudo nacional avalia como as mulheres classificam suas vidas sexuais  

Você acha que após os 50 anos a vida sexual da mulher ........ ? Clique aqui para votar

            Todos nós sabemos que a sexualidade humana é influenciada por variáveis biológicas e psico-sociais. No entanto, na comparação com o homem, a sexualidade feminina é mais marcada pelas transformações físicas das diferentes fases da vida. Na menopausa, por exemplo, as mudanças hormonais tendem a prejudicar a atividade sexual das mulheres. Levando isso em conta, um estudo nacional procurou avaliar a prevalência de vida sexual em mulheres com 50 anos ou mais de idade, além de compreender a autopercepção em relação à vida sexual. Assim pesquisadores da UNICAMP, realizaram um estudo de base-populacional, por meio de autorrelato em pesquisa domiciliar, envolvendo 622 mulheres brasileiras. Eles coletaram diversas informações sócio-demográficas e sobre estilo de vida e definiram a autopercepção da vida sexual como muito boa, boa, regular, ruim ou muito ruim. Os resultados surpreendem, a começar pelo fato de que 622 mulheres participantes da pesquisa, apenas 36,7% relataram ter vida sexual e, destas, 53,5% classificaram-na como muito boa ou boa, enquanto 46,5% consideraram-na regular, ruim ou muito ruim. Quanto aos fatores associados com autopercepção negativa da vida sexual destacaram-se estar na pós-menopausa e usar remédios naturais para tratamento da menopausa.

         Esta associação se manteve após controle de outras variáveis tais como obesidade e idade da mulher. Para os autores a pior autopercepção da vida sexual associada com o uso de remédios naturais para o tratamento da menopausa reforça a necessidade de tratamentos mais efetivos dos sintomas climatéricos. E, de fato, existem algumas dúvidas sobre a eficácia dos tratamentos ditos naturais e mesmo das isoflavonas para queixas da menopausa. Principalmente no caso das queixas sexuais. Mas vale mencionar que nesta amostra apenas 16% das mulheres usavam remédios naturais, o que limita este tipo de achado.

       Como se vê, se a sexualidade feminina após os 50 anos é mesmo mais complicada, pelo menos as mulheres não escondem isso de ninguém. (Valadares et al. Auto percepção de vida sexual e fatores associados: estudo populacional em mulheres com 50 anos ou mais. RBGO 2013, 35(7):295-300) 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 10h17

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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