Blog do Dr. Alexandre Faisal

17/05/2014

Casamento infantil: Brasil vai mal no ranking mundial

 

O seqüestro de crianças na Nigéria remete também ao sério problema do casamento infantil. Um editorial e uma organização internacional abordam as estatísticas mundiais deste drama ainda sem solução

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          O seqüestro de 200 meninas na Nigéria pelo grupo islâmico radical Boko Haram trouxe à tona o grave problema mundial do casamento de meninas. Um editorial e uma organização internacional mostram dados impressionantes. Em 2011, a Organização das Nações Unidas definiu o dia 11 de outubro como o dia da menina e um dos temas principais era o fim do casamento de crianças, que é uma afronta aos direitos humanos. O casamento infantil é um evento traumático para meninas que acaba com a sua infância, interrompe seu progresso educacional, ameaça sua integridade física e até leva à morte. Casamento infantil é definido como união marital antes dos 18 anos. Estimativas mundiais indicam que 1/3 das meninas casam antes de 18 anos e, 1/7, antes dos 15 anos. Isso resulta em pelo menos 10 milhões ou mais de casamentos infantis por ano.

          Um estudo prévio da UNICEF estimou que a porcentagem de meninas entre 20 e 24 anos que haviam se casado antes dos 18 anos. Vejamos os resultados deste nefasto ranking mundial. No topo da lista com mais de 60% estão os seguintes países: Níger, República Centro Africana, Chade e Bangladesh. Na América Latina Bolívia, Equador, Colômbia tem taxas ao redor de 22% e, logo abaixo, Peru e Paraguai tem taxas de 18%. Infelizmente, o Brasil vai muito mal neste aspecto, com 36% de prevalência de casamento antes dos 18 anos e, pior ainda, 11% de casamentos antes do 15 anos de idade. Felizmente, existem esforços internacionais para acabar com casamento infantil. Um deles é uma parceria global entitulada “Garotas não Noivas” (Girls Not Brides), com mais de 300 organizações civis. Eles procuram divulgar o assunto, conscientizando às pessoas da magnitude e do impacto do problema, além de angariar suporte para as possíveis soluções. Por meio do site (www.girlsnotbrides.org) é possível conhecer estatísticas de diversos países, conhecer as leis e avanços no enfrentamento do problema.

           Cabe destacar que existem leis em muitos países proibindo o casamento antes dos 18 anos. Leis que são muitas vezes infringidas. O editorial e a entidade concordam que a educação é a principal arma para reduzir o casamento infantil. É ela que dá poder a menina e permite seu crescimento pessoal. Estatísticas mostram que nos países pobres a menina estuda 7 ou 8 anos, mas a menina casada recebe em média 4 anos de estudo. Ou seja, a educação atrasa o casamento e não permite que o casamento atrase ou acabe com a educação. (Svanemyr  et al. Preventing child marriages: first international day of the girl child "my life, my right, end child marriage" Reproductive Health 2012, 9:31)

 

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 17h43

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

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Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

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Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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