Blog do Dr. Alexandre Faisal

26/05/2014

Ter companheira(o) é tão importante quanto quimioterapia para sobrevida após câncer

O prognóstico e a sobrevida após o diagnóstico de câncer dependem de vários fatores. Um estudo americano avalia se o estado marital é um deles

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          Os indivíduos que reclamam das agruras e durezas do casamento vão ter que rever seus conceitos. Principalmente se forem homens. Um estudo americano publicado no “Journal of Clinical Oncology” mostra que ser casado é tão protetor e importante quanto quimioterapia nos cuidados de pacientes com câncer. Isso mesmo; as pessoas casadas que são portadoras de diferentes tipos de câncer têm menor chance de receberem um diagnóstico de metástase no início do tratamento, maior chance de receberem tratamento definitivo, tal como cirurgia ou radioterapia e finalmente, menor chance de vir a morrer. O estudo avaliou dados de mais de 700 mil casos de câncer, seguidos, em média, por 3 anos.

         O objetivo do estudo foi avaliar o impacto do estado marital sobre a sobrevida das pessoas que sofriam de um dos 10 tipos de câncer mais freqüentes nos Estados Unidos, incluindo também o câncer de mama e de ovário para as mulheres e câncer de próstata para os homens. E o resultado mais animador mostra uma redução da mortalidade que variou de 12 a 33%, dependendo do tipo de câncer. Para câncer de mama a redução da mortalidade foi de 22%. A explicação dos efeitos positivos da presença de um parceiro/parceira está, essencialmente, no suporte social, que pessoas com câncer recebem dos respectivos parceiros e que é mais evidente para o apoio recebido pelos homens das suas esposas e companheiras. Possivelmente, elas, as mulheres encorajam seus parceiros a procurarem atendimento médico precocemente, quando surgem os primeiros sintomas, a optarem por um tratamento definitivo, cirúrgico ou radioterápico e, principalmente, a aderirem às recomendações dos médicos. Enfim, as mulheres cuidam dos seus parceiros ou não permitem que eles se descuidem.

         

          Como se vê, pelo menos neste caso, está comprovado cientificamente que ser casado é muito melhor (Aizer et al. Marital status and survival in patients with cancer. Journal of Clinical Oncology 31(31):3869-3876, 2013).

Escrito por Dr. Alexandre Faisal às 22h06

Sobre o Autor

Alexandre Faisal é ginecologista-obstetra, pós-doutor pela USP. Formado em Psicossomática pelo Instituto Sedes publicou o livro "Ginecologia Psicossomática" (Editora Atheneu). Participou do programa "Olha Você" do SBT e atualmente é colunista da Rádio USP (FM 93.7) e da Rádio Bandeirantes (FM 90.9). Já realizou diversas palestras médicas no país e no exterior. Apresenta palestras culturais em empresas sobre temas que tratam do universo feminino (Amantes na Arte, Mentes Inovadoras, O Erotismo).

Sobre o Blog

Acompanhe os boletins do "Saúde feminina: um jeito diferente de entender a mulher" que discutem os assuntos que interessam às mulheres e seus parceiros. Uma abordagem didática e bem-humorada das mais recentes pesquisas nacionais e internacionais sobre temas como gravidez, métodos anticoncepcionais, sexualidade, saúde mental, menopausa, adolescência, atividades físicas, dieta, relacionamento conjugal, etc. Aproveite.

Livro

Alexandre Faisal é coautor do livro "Segregos de Mulher - Diálogos entre um ginecologista e um psicanalista"



(Alexandre Faisal Cury e Rubens Marcelo Volich, Ed. Atheneu).

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